terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Educação no Campo, turma de Especialização em Cultura Popular, Arte e Educação do Campo - Resindência Agrária (Turma Irmãos Anicetos) realiza apresentação de trabalhos Residência Agrária de Cultura

Educação do Campo no Ceará

Turma de Especialização em Cultura Popular, Arte e Educação do Campo - Residência Agrária (Turma Irmãos Anicetos)

Universidade Federal do Cariri - UFCA Campus da Agronomia/Crato 

 
Os 35 trabalhos de Conclusão de Curso desenvolvidos durante o curso serão apresentados nos dias 27 e 28 de Fevereiro no Centro de Expansão/Crato - CE.

Confira a programação:

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Dez empresas dominam de 60% a 70% do que consumimos nos mercados

Dez grandes companhias abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração.

Da Repórter Brasil

Talvez passe despercebido àqueles que vão ao supermercado que um conjunto pequeno de grandes transnacionais concentra a maior parte das marcas compradas pelos brasileiros. Dez grandes companhias – entre elas Unilever, Nestlé, Procter & Gamble, Kraft e Coca-Cola – abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração no mundo. O que sobra do mercado é disputado por cerca de 500 empresas menores, regionais.

Quer um exemplo dessa concentração? Quando um consumidor vai à seção de higiene pessoal de um estabelecimento comercial e pega nas gôndolas um aparelho de barbear Gilette, um pacote de absorventes Tampax e um pacote de fraldas Pampers, ele está comprando três marcas que integram o portfólio da gigante norte-americana Procter & Gamble – que também é dona dos produtos Oral-B, para dentes.


O poder da Unilever

Uma dona de casa vai uma vez por mês ao supermercado fazer as compras para sua família: ela, o marido e duas crianças. Para a cozinha, ela compra Knorr, Maizena, suco Ades e a maionese Hellmann’s. Para a limpeza da casa, sabão em pó Omo e Brilhante. Compra ainda Comfort para lavar a roupa. Passa na área de cosméticos e pega o desodorante Rexona para seu marido, e sabonete Lux para ela. Compra pasta de dente Closeup, a marca preferida da filha.

Quase ao sair do supermercado, o filho liga e diz que quer sorvete. Ela compra picolés Kibon. Todas as marcas adquiridas por ela pertencem à Unilever, que em 2013 foi o maior investidor no mercado publicitário do Brasil, com R$ 4,5 bilhões aplicados. Omo possui 49,1% de participação de mercado em sua categoria, segundo pesquisa do instituto Nielsen em 2012. A Hellmann´s detém mais de 55% do mercado. A Unilever vende cerca de 200 produtos por segundo no Brasil.

Mercado de bebidas

O que o refrigerante Coca-Cola, o energético Powerade, o suco Del Vale, a água Crystal e o chá Matte Leão têm em comum? Eles são marcas da Coca-Cola, que apenas no segmento de refrigerantes detém cerca de 60% do mercado nacional. E sabe quando está um dia de calor e você quer tomar uma cerveja? Há uma grande chance de que ela seja produzida pela Ambev, que concentra cerca de 70% do mercado com produtos como Brahma, Antarctica, Skol e Bohemia. A companhia Brasil Kirin (ex-Schincariol) possui pouco mais de 10%, e o Grupo Petrópolis, cerca de 10%.
Quer um chocolate?

Na hora dos desenhos, uma criança se senta à frente da televisão e pede para a mãe alguma coisa para comer. Uma vez no mês, ela decide trocar as frutas por doces. A mãe então oferece algumas opções: um chocolate Suflair ou um Kit Kat? Um chá Nestea ou um Nescau? Um Chambinho ou iogurte Chandelle? Uma bolacha Tostines ou Negresco? 
No fundo, ele está perguntando à criança qual marca e linha de produtos da Nestlé ela quer, porque todas acima citadas pertencem à gigante suíça.

O segmento de chocolates é concentrado. Em 2012, uma pesquisa do Instituto Mintel mostrou que ele era dominado por três companhias líderes que possuíam 85% do mercado. Kraft liderava ranking, seguida por Nestlé e Garoto (a empresa Garoto pertencia à Nestlé, mas tem posicionamento independente, e ambas somavam 46% de participação). A Kraft foi desmembrada, em 2012, em duas e a operação de guloseimas passou a se chamar Mondelez International.

Empresas brasileiras também concentram mercado

A BRF – nascida da união entre Sadia e Perdigão – é líder em vários segmentos das gôndolas: está presente em 28 das 30 categorias de alimentos perecíveis analisadas pelo instituto Nielsen, como massas, congelados de carne, margarinas e produtos lácteos. A BRF está na mesa de aproximadamente 90% dos 45 milhões de domicílios do Brasil. Ela é responsável por 20% do comércio de aves no mundo. Em pizzas, a empresa detém 52,5% do mercado e 60% do de massas congeladas no país.


Outra empresa brasileira com grande presença na mesa dos brasileiros e de outros países é a JBS, dona de várias marcas conhecidas, como Friboi, Seara, Swift, Maturatta e Cabana Las Lilas. Com essa variedade de produtos e a presença em 22 países de cinco continentes (entre plataformas de produção e escritórios), ela atende mais de 300 mil clientes em 150 nações.


Governo brasileiro incentivou concentração empresarial

Para alguns economistas, tem havido um aumento da presença do Estado na economia brasileira, um movimento que ganhou força no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o BNDES passou a conceder financiamentos a juros mais baixos para promover as chamadas “campeãs nacionais”.

Nesse caso, foi estimulada a fusão entre as operadoras de telefonia Brasil Telecom e a Oi, e a criação da BRF, fruto da união entre Sadia e Perdigão. Esse movimento de empresas brasileiras mais fortes no exterior cria gigantes, mas não necessariamente essa liderança traz vantagens para os consumidores brasileiros, que continuam com poucas opções quando vão ao supermercado. Será que essa ação do Estado beneficiou o consumidor final?

Em paralelo, as empresas estatais têm ganhado peso. No setor bancário, CEF e Banco do Brasil estão entre as cinco maiores instituições do país, sendo que a Caixa é líder em financiamento habitacional, e o BB, no setor agrícola. Em energia, a Petrobras é a maior empresa do setor, enquanto a Eletrobrás detém a liderança em geração de energia elétrica.

Mas essa concentração de poder nas empresas públicas é diferente das privadas. Um exemplo está no setor de energia, em que a Petrobras tem tido uma política de reajuste dos preços dos combustíveis alinhada à política de inflação do governo federal. Empresas estatais bem administradas poderiam render bons lucros, que se tornariam dividendos para o governo federal, que, por sua vez, com esse dinheiro dos lucros, poderia investir em setores essenciais, como saúde e educação.
 

Sim, je suis Charlie. Mas e quanto ao desprezo francês pelo outro e ódio que ele pode fomentar?

Por Salah H. Khaled Jr.

A disputa pelo capital simbólico da tragédia está em curso. A imprensa está rapidamente se apropriando discursivamente do atentado e consolidando uma imagem como elemento interpretativo do caso: a agressão à liberdade de expressão e, em particular, ao jornalismo. O estandarte está levantado e a campanha está em curso, como se está fosse a grande “lição” a ser extraída do caso: não admitiremos que a liberdade de expressão seja colocada em questão.

Tenho minhas dúvidas. Uma explicação monocausal para um acontecimento tão complexo definitivamente não me satisfaz. A questão não parece se restringir a isso. Ainda que seja cedo demais para estabelecer qualquer conclusão que diga respeito aos motivos por trás do injustificável ataque, é preciso ao menos esboçar os parâmetros necessários para uma análise minimamente responsável.

O fato do atentado ter ocorrido na França e aparentemente ter sido executado por agressores franceses certamente é de alguma relevância para a compreensão do fenômeno. E quando digo isso não escrevo com qualquer intenção de instrumentalização do massacre: não são poucas as manifestações que causam arrepios, indicando que se algo não for feito para “proteger jornalistas” no mundo inteiro a morte das vítimas terá sido em vão. Como se pudesse existir qualquer iniciativa de prevenção e/ou retaliação apta a de algum modo justificar a perda de vidas como um preço aceitável a pagar. É preciso pensar um pouco antes de escrever.

Lentamente começam a surgir interpretações qualificadas do massacre (veja aqui, por exemplo). Não tenho a intenção de revelar a “verdade” sobre o atentado, o que certamente está para além das minhas modestas forças. Também não irei fazer uma análise detalhada do caso ou do histórico dos suspeitos. Quero apenas compartilhar alguns subsídios que me chamam atenção e que podem se mostrar de alguma valia para quem procura uma leitura menos superficial da questão.

Apesar das poucas informações disponíveis, me surpreende que atentados dessa ordem não ocorram com maior frequência na França. E isso não tem relação alguma com a Charlie Hebdo em particular, mas com a própria identidade nacional francesa e com o momento que atravessa a própria França.

Paris é hoje uma cidade visivelmente decadente. A sujeira toma conta das ruas. Mendigos dormem nas calçadas e em alguns locais o cheiro de urina é extremamente forte, como, por exemplo, nos arredores do Centre Pompidou. A cidade está repleta de imigrantes africanos que vendem lembranças para turistas de forma ilegal e são implacavelmente perseguidos pelos policiais quando avistados. Os metrôs estão tomados por vendedores ambulantes e artistas que invadem os vagões e apresentam suas performances na esperança de receber alguns trocados dos passageiros.

Os tempos são difíceis para os franceses: taxas de desemprego batem recordes e o país aparentemente está na contramão de seus principais parceiros europeus. Tudo isso gera enorme inquietação social: milhares de carros foram queimados em protestos na última década. Não é preciso entrar em detalhes. Essas informações estão facilmente disponíveis na internet.

Diante desse contexto, turistas são muitas vezes tratados de forma abertamente hostil: a expressão “turista de merda” é muito popular, particularmente quando há recusa em cair em golpes, como a venda de bilhetes usados de metrô e outros muito mais sofisticados. Os pickpockets afloram, assim como os golpistas de todas as ordens. São comuns os esquemas das mais variadas ordens para iludir estrangeiros, sendo necessário consultar a internet para se assegurar de não cair em um golpe quando visitar Paris. Evidentemente são combatidos pelas autoridades, mas em tempos de crise, os golpistas se multiplicam para além de qualquer possibilidade de controle.

Mas eles não são os únicos problemas: experimente pedir informações em inglês e descubra rapidamente como franceses de todos os estratos sociais podem perder a pose e tratá-lo como um visitante indesejado, apesar da economia francesa precisar desesperadamente do turismo para sobreviver. Por outro lado, arranhe um francês rudimentar e patético e eles provavelmente lhe estenderão a mão com toda simpatia do mundo. A relação com o outro é muito, muito problemática para um país com questões de auto estima por resolver e uma grande crise econômica a superar.

Diante desse contexto, não é por acaso que mais do que nunca os franceses aprofundem sua relação de afetividade com o passado. Qualquer brasileiro se espanta com o espaço que as obras de história ocupam nas livrarias da França, principalmente em comparação com a relativa escassez da literatura jurídica, salvo em livrarias especializadas.

Mas não é uma história geral como a que é estudada no Brasil, por exemplo. Para os franceses, história é essencialmente história da França. São literalmente milhares de obras que retratam um passado glorioso que é devorado por um presente que tem pouco a comemorar. O século XX tem pouco destaque: a humilhação das duas grandes guerras mundiais e o colaboracionismo francês com o Nazismo (muito mais profundo do que os franceses gostariam de admitir) conformam profundas chagas na identidade nacional francesa. Uma identidade que interessa investigar, por sinal.

Diferentemente da tradição alemã, que constrói a identidade desde a perspectiva de um volk (povo) originário e primordial que desfruta de uma história e língua comuns (fundamentalmente com Herder e o Romantismo Alemão, que posteriormente resultou no argumento da superioridade da raça ariana), o critério de nacionalidade francês sempre foi baseado na vontade: na adesão subjetiva ao corpo da nação. Por um lado esse critério parece interessante, já que não impõe limites tão restritivos quanto o critério germânico. Mas para que esse pertencimento seja completo, é preciso abrir mão da diferença e abraçar a normalidade, ou seja, tornar-se efetivamente um francês, o que exige adesão ao padrão imposto como regra.

É aqui que o tão ostentado ideal de igualdade encontra seu ponto de torção, uma vez que a aceitação exige que se abra mão da condição de não igual, ou seja, de diferente. O leitor mais atento certamente percebeu onde quero chegar.

A crise alimenta a xenofobia, que cresce de forma assombrosa. É fácil culpar o outro pelas dificuldades. São eles, os diferentes, os imigrantes (mesmo os oriundos de países que foram colônias francesas) os bodes expiatórios mais convenientes para as dificuldades que os franceses enfrentam. Tudo isso cria um contexto favorável para que o ódio prospere e seja apropriado como capital simbólico pelos próprios políticos, pois é um discurso que rende dividendos.

Os franceses historicamente demonstram enorme dificuldade para lidar com a diferença. Se apegam desesperadamente a um orgulho doentio pelas realizações do passado e simultaneamente acumulam enorme mágoa pela perda de relevância no presente.

Na França o diferente é no máximo tolerado (como estorvo) e raramente respeitado como outro. Basta pensar na injustificável proibição da burca em lugares públicos, expressão máxima de uma tentativa de imposição de homogeneidade para um corpo social que é extremamente heterogêneo. A França tem a maior população islâmica da Europa Ocidental, com cerca de cinco milhões de muçulmanos, muitos deles franceses nativos, que se sentem injustificadamente oprimidos, pois estão fora do padrão normalizado francês. Não é difícil que o sentimento de opressão experimentado por essa população seja canalizado por extremistas radicais e eventualmente dê causa à violência, por mais mal direcionada que ela possa aparentar. A incompreensão facilmente se degenera em ódio mútuo.

É evidente que não se está aqui de modo algum justificando este ou qualquer outro atentado, muito menos dando vazão para que atos de inaceitável violência possam ser tidos como legítima resistência. Mas a normalização forçada de Paris assusta, principalmente se contrastada com o autêntico melting pot que é Londres, uma capital europeia em que a diferença desfila pelas ruas de forma majestosa.

Os franceses devem enfrentar essas questões, sob pena do pior cenário possível se materializar: que o atentado atinja o espírito da Charlie Hebdo de forma tão impactante como atingiu as vidas de seus colaboradores, dando margem para que a xenofobia cresça e o discurso de extrema direita ganhe ainda mais impulso, em um espiral ascendente de ódio com resultados imprevisíveis. É preciso atentar para o fato de que o mundo islâmico reprovou de forma veemente o massacre e que as ações isoladas de alguns indivíduos não podem ser tidas como representativas de um setor tão significativo da própria sociedade francesa. A história mostra que os discursos de ódio ao outro em nome da defesa do mesmo podem facilmente se prestar aos piores massacres. Que não seja esse o resultado último dessa tragédia, cujas consequências podem atingir muito mais pessoas do que os agressores e as vítimas originais.

Lutar contra essa interpretação desastrosa talvez seja a forma mais digna de honrar o trabalho de quem tanto combateu os radicalismos de todas as ordens. É o que resta. Je suis Charlie!

Salah H. Khaled Jr. é Doutor e Mestre em Ciências Criminais (PUCRS) e Mestre em História (UFRGS). É Professor da Faculdade de Direito e do Mestrado em Direito e Justiça Social da Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Autor de A Busca da Verdade no Processo Penal: Para Além da Ambição Inquisitorial, editora Atlas, 2013 e Ordem e Progresso: a Invenção do Brasil e a Gênese do Autoritarismo Nosso de Cada Dia, editora Lumen Juris, 2014. É Conselheiro Editorial do Justificando.

Civilização do lixo, devastadora e desigual

Impulsionado pelo consumismo, descarte urbano cresce três vezes mais que habitantes do planeta. Mas 80% dos resíduos são produzidos por 20% da população mundial…
Por Najar Tubino, na Carta Maior 

Esta é uma montanha que não para de crescer. Nos cálculos da ONU e do Banco Mundial nas últimas três décadas a geração de resíduos sólidos urbanos cresceu três vezes mais rápido do que a população. Os sete bilhões de habitantes produziram 1,4 bilhão de toneladas de lixo e em 10 anos o montante chegará a 2,2 bilhões de toneladas. Lógico que metade desse lixo é gerada pelos países da Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento, a OCDE, clube dos 34 ricos do planeta. Entre eles, os países da União Europeia, além de Coreia do Sul, Japão, Austrália e Reino Unido. Os Estados Unidos lideram a estatística, com 5% da população mundial consomem 40% dos produtos, com um detalhe importante: em 2010 a Agência Ambiental (EPA) divulgou que os estadunidenses jogavam 34 milhões de toneladas de sobras de comida todo ano. O Brasil já é considerado o quinto país na lista dos campeões do lixo com 78 milhões de toneladas para 2014. 
 
O pesquisador Maurício Waldmam, pós-doutor pela Unicamp e autor do livro Lixo: cenários e desafios criou uma versão da mitologia grega para traduzir a gravidade da situação. Trata-se do mito da Esfinge, um demônio com corpo de leão, cabeça de mulher e asas de água, que apavorava os habitantes de Tebas. Para ir embora propôs um enigma, decifrado por Édipo, tragédia de Sófocles – “decifra-me ou devoro-te”.

Decifra-me ou te devoro

Eis o que o que a montanha de lixo planetária está nos propondo. Maurício Waldman comenta: “No Brasil, como em qualquer parte do mundo, o que a Era do Lixo está expondo de modo radical é a impossibilidade de mantermos o modus vivendi e modus operandi, que lastreou o surgimento e a difusão da civilização ocidental… o lixo assumiu o contorno de uma calamidade civilizatória. Em termos mundiais, apenas a massa de lixo municipal coletado, estimada em 1,2 bilhão de toneladas, supera a produção global de aço – 1 bilhão. As cidades ejetam dois bilhões de toneladas de refugo, superando em 20% a produção de cereais. Os números falam por si”.

No dia 2 de agosto terminou o prazo para os municípios brasileiros se adequarem a lei federal 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, depois de tramitar durante 20 anos no Congresso Nacional. Dois dias depois, a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) lançou a publicação “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2013”, uma pesquisa realizada em 404 municípios envolvendo quase metade da população. No ano passado foram coletados 76 milhões de toneladas com um aumento de 4,1%, comparado ao ano anterior. Apenas 58,3% dos resíduos têm destinação final adequada. Ou seja, o restante 41,7% são depositados em lixões e aterros controlados, que são quase lixões. Dos mais de cinco mil municípios do país, 3.344 ainda fazem uso de locais impróprios para destinação final de resíduos. E 1.569 municípios utilizam lixões a céu aberto, que é a pior forma de descarte. Enfim, mais da metade dos municípios brasileiros não se adequou à nova legislação, embora desde a década de 1980 seja proibido jogar lixo em qualquer lugar.
 
Nova York gera 24,8 mil toneladas de lixo

Em outubro desse ano, na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi de vassoura em punho lançou a campanha Índia Limpa, e convocou quatro milhões de funcionários públicos federais para se engajarem. “Depois de tantos anos de independência não podemos continuar convivendo com esta imundície”, disse ele, acrescentando que o governo investirá R$24 bilhões em cinco anos para varrer a sujeira. No caso indiano a situação é particularmente grave, porque metade dos 1,2 bilhão de habitantes não tem acesso a banheiros e fazem suas necessidades fisiológicas em qualquer canto. Porém, mesmo entre os ricos o problema continua grave. Os japoneses geraram quase 500 milhões de toneladas de resíduos urbanos e seus aterros sanitários tem vida útil de oito anos. Aqueles que recebem o lixo de Tóquio tem vida útil de quatro anos, conforme a publicação Lixo Zero, do Instituto Ethos, coordenada pelo economista Ricardo Abramovay.

Nova Iorque, onde são geradas 24,8 mil toneladas por dia – em São Paulo são pouco mais de 18 mil toneladas – os resíduos são enterrados em aterros de Nova Jersey, Pensilvânia e até na Virgínia, alguns distantes 500 quilômetros. A capital dos turismo da classe média brasileira recicla apenas 18% do que produz. Aliás, os Estados Unidos reciclam apenas um terço das garrafas pet, índice que é de 72% no Japão. Os estadunidenses produzem 624 mil toneladas de lixo diariamente. E mais: 80% do lixo eletrônico são exportado para a China. Até recentemente os países da OCDE exportavam 200 milhões de toneladas de lixo para outros países. É interessante o estilo de vida dos EUA, onde todos os anos são repostos 600 milhões de quilos de carpetes.

Brasil é o quinto mercado mundial

No Brasil, uma pesquisa recente do Banco Mundial apontou que se 42% dos resíduos sólidos jogados em lixões a céu aberto fossem para aterros sanitários – onde o chorume e o metano são coletados – o aproveitamento do biogás e a compostagem abririam 110 mil novos empregos nos próximos 18 anos e acrescentariam US$35 bilhões na economia. Também supririam 1% da demanda de energia elétrica. Na União Europeia o cálculo apontou que se todo o lixo fosse tratado acrescentaria 42 bilhões de euros no setor de coleta e reciclagem e mais 400 mil empregos. A Alemanha é o país líder na reciclagem com aproveitamento de 48% dos materiais utilizados. O mercado global do lixo da coleta até a reciclagem movimenta US$410 bilhões. Mas a ONU ressalta que os orçamentos dos municípios estão destinados até 30% da sua verba para o lixo. No caso da capital paulista em 2013 foi R$1,8 bilhão, 20% mais do que o ano anterior.

O Brasil até 2020, ou seja, daqui a seis anos, será o quinto maior mercado consumidor do mundo. Já somos o maior consumidor de cosméticos, o segundo em cervejas, o terceiro em computadores, o quarto em carros e motos e o quinto em calçados e roupas. O problema cresce, porque a questão é: o que fazer com a montanha de lixo? A Confederação Nacional dos Municípios diz que são necessários investimentos de R$70 bilhões para atender a demanda dos municípios que jogam os resíduos no lixão.

Cheiro de ovo podre

Porém, isso não explica o óbvio: 80% do consumo privado no mundo é realizado por 20% da população. Quer dizer, 5,6 bilhões de pessoas rateiam o que resta da miséria, mesmo que isso signifique ter um smartphone, televisão fininha e um valão na porta de casa, onde corre o esgoto a céu aberto, com todas as embalagens e utensílios domésticos imaginados. Nos países da OCDE a média de carros por cada mil habitantes é de 750, na China é 150 e na Índia 35. A mesma organização diz que a cada 1% de crescimento nos países emergentes, o lixo acumulado cresce 0,69%. Como os emergentes continuarão crescendo, deduz-se que a montanha idem.

Em meio a isso tudo, a época natalina comercial cristã, com o mercado de luxo bombando no Brasil – em São Paulo ricos de todo o país gastaram R$10 bilhões em 2012 -, comecei a elaborar a seguinte questão: existe um problema maior do que as emissões de gás carbônico, metano e óxido nitroso – os gases estufa – na atmosfera. Trata-se do gás sulfídrico H2S, sulfeto de hidrogênio, conhecido popularmente pelo cheiro de ovo podre, ou pelo cheiro de qualquer rio podre – caso do Tietê, em SP -, ou córrego carregado de esgoto, locais onde o gás se expande. Este cheiro da podridão, de coisa decomposta, degradada, em meio à globalização e a concentração de renda no planeta, é que está definindo os rumos da civilização do lixo. A tecnologia venceu a natureza, pensaram os mecanicistas desde a Revolução Industrial, agora reforçados pelos agentes do sistema financeiro. O que não estava nos planos do capitalismo esclerosado é que a expansão acabaria devorando o mercado com clientes, industriais, comerciantes e demais componentes econômicos afogados em uma gigantesca montanha de lixo. O enigma grego foi decifrado e só falta puxar a descarga.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Vídeo sobre o 6° Congresso Nacional do MST

Lutar, construir Reforma Agrária Popular!

Entre os dias 10 a 14 de fevereiro de 2014, aconteceu o 6° Congresso Nacional do MST, em Brasília. Na ocasião, mais de 15 mil Sem Terra, oriundos de 23 estados do Brasil mais o Distrito Federal, além de 1000 crianças Sem Terrinha e a presença de 200 convidados internacionais dos cinco continentes do mundo, se reuniram para participarem de um dos momentos mais importantes do MST, quando se consolida a linha política para o período seguinte.

“Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!” foi o lema do 6° Congresso, que representa a síntese das tarefas, desafios e do papel do Movimento no período histórico que se abre.

sábado, 6 de dezembro de 2014

OCA / Cineclube Mocamba realiza cobertura colaborativa da abertura 3ª Jornada de Agroecologia da Bahia 2014

Foto: Jackson Souza
Começou nesta quinta feira a III Jornada de Agroecologia da Bahia. Para esse ano o tema da Jornada é "Sementes, ciência , tecnologia e agroecologia para mudar a realidade das comunidades no campo e na cidade". O primeiro dia de evento teve como sustentação o acolhimento e o diálogo entre os diversos elos que compõem a Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica. 
Foto: Jackson Souza
Foto: Jackson Souza
Na abertura da 3ª jornada a mística retratou o histórico da Jornada e da Teia, que inclui, desde 2012, vários trechos em comunidades tradicionais do Sul da Bahia, mobilizações com os tupinambás e a formação da Brigada Audiovisual. A mística ressaltou também a importância do movimento na luta pela liberdade das nossas sementes e da terra contra as grandes empresas do agronegócio.
Foto: Jackson Souza
Foto: Jackson Souza
Foto: Jackson Souza
Foto: Jackson Souza
A OCA/Cineclube Mocamba esteve presente na abertura da 3ª Jornada de Agroecologia da Bahia, no Assentamento Terra Vista, município de Arataca, sul da Bahia e realizou cobertura colaborativa do evento. 
 
Assistam o audiovisual produzido no link abaixo.

Após a mística, um representante de cada elo da Teia deu a saudação para o início da Jornada.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

I Feira Troca Troca de Sementes Crioulas e Economia Solidária na III Jornada de Agroecologia da Bahia


Jornada: I Feira Troca Troca de Sementes Crioulas

A III Jornada de Agroecologia da Bahia vem com novidade. Vamos integrar à programação a I Feira Troca Troca de Sementes Crioulas e Economia Solidária.

Convidamos tod@s que vierem para a Jornada a participar. Tragam suas sementes, mudas e saberes para trocar e semear.

PROGRAMAÇÃO DA III JORNADA DE AGROECOLOGIA DA BAHIA

 
Assentamento Terra Vista – Arataca | Bahia
3 a 7 de dezembro de 2014
Tema Geral:
Semente, ciência e tecnologia para mudar a realidade das comunidades no campo e na cidade
PROGRAMAÇÃO

03.12 (quarta)
8h às 18h: Chegada, credenciamento, alojamentos

04.12 (quinta-feira)
6h: Amanhecer Sagrado
8h às 11h: Caminhada pelo Assentamento
14h: Mística de Abertura
19h30: Diálogos com o tema de abertura: Agroecologia, ciência, movimento e práticas para a transformação da sociedade

05.12 (sexta-feira)
6h: Amanhecer Sagrado
8h: Mística de Abertura
Mesa Interativa com o tema: Sementes, patrimônio genético dos povos e da humanidade
10h às 12h / 14h às 18h: Oficinas, mini-cursos, palestras (em breve, lista das atividades)
17: Troca-Troca de Sementes Crioulas
Feira de Economia Solidária
Troca de Saberes
19h30: Cineclube
Apresentações Culturais
Fogueira

06.12 (sábado)
6h: Amanhecer Sagrado
8h: Mística de Abertura
Mesa Interativa com o tema: Agroecologia, educação e luta de classe
10h às 12h / 14h às 18h: Oficinas, mini-cursos, palestras (em breve, lista das atividades)
17: Troca-Troca de Sementes Crioulas
Feira de Economia Solidária
Troca de Saberes19h30: Grande Confraternização

07.12 (domingo)
8h30: Memória dos dias aateriores
Leitura do Documento Final para deliberações
Mesa interativa com o tema: Agroecologia e Governança
Encaminhamentos
Leitura de aprovação do Documento Final
13h30: Encerramento com grande cortejo e mística



Apoiamos essa iniciativa:

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pequeno produtor agroecológico francês busca alternativas de comercialização para os seus produtos


Arnaud Nunes, 40 anos, de descendência franco-portuguesa, vive na cidade de Aulnay, na França e é agricultor orgânico desde 2010. Em entrevista para Beto Oliveira e Mati Chaigneau, esse pai de dois filhos conta um pouco de sua história.
Arnaud Nunes, sendo entrevista por Mathilde Chaigneau.
Antes de se tornar agricultor, Arnaud teve muitas profissões, sempre relacionadas com o campo agrícola. Ele foi empregado numa fazenda de 400 ha, onde trabalhou com produção convencional de hortaliças durante 15 anos, depois trabalhou vendendo máquinas agrícolas, experiência que não lhe agradou muito.

Seu último emprego foi na Câmara da Agricultura do Território, órgão respectivo à uma Regional da Secretaria de Agricultura no Brasil. Durante esse trabalho conheceu diversas experiências e aprendeu muita coisa, foi nesta época que teve acesso a um estudo sobre agricultura, feito em 1974, que tinha informação sobre sua região. Foi quando percebeu que não existiam produtores de hortaliças nesse local.

Refletindo sobre essa informação, com o passar do tempo resolveu voltar para a terra que herdara do avô, os 6 ha que foram herdados pelos pais. Quando seus pais estavam para vender a propriedade, propôs-lhes de utilizar a terra para uma experiência, garantindo que se não desse certo, a venderia em seguida. Iniciou sua produção orgânica de hortaliças e não parou mais. Sua propriedade recebeu o nome "Le Jardin de Maurice" ( O Quintal de Maurice), em homenagem ao seu avô.

Para ele, existe uma grande diferença entre a agricultura convencional e a orgânica. A primeira, foca em lutar contra as doenças utilizando moléculas químicas e não se preocupa com o estado da terra. A segunda, demonstra grande preocupação com o estado da terra e evita as doenças graças à rotação de cultura.

Com base na segunda proposta, ele faz rotação de cultura em sua propriedade utilizando cereais e hortaliças, pois, apesar dos cereais não gerarem muita renda, possibilitam deixar sua terra mais saudável. Após a colheita, os cereais são vendidos principalmente à um agricultor, que usa na alimentação dos animais, para produção de leite orgânico. Às vezes ele vende parte dos cereais para um produtor de cerveja orgânica e para um produtor de biscoitos orgânicos.
Uma das diversas espécies de batata que são produzidas e comercializadas por Arnaud.
Arnaud tem como cultivo principal a batata ("pomme de terre"), que é bastante plantada na região e tem um ciclo de rotação de 6 a 7 anos, ou seja, durante esse período ele não pode plantar batata novamente na mesma área. Também cultiva hortaliças, que são sua principal fonte de renda, pois planta cerca de 50 variedades. Entre elas tem de tudo, as hortaliças de verão, como berinjela, tomate, abobrinha e pimentão e, as hortaliças de "guarda" (produzidas durante o inverno), como nabo, beterraba, cenoura, batata, "celeri" (aipo) e abóboras

Dentro dos 6 ha de terra ele possui uma área de 1.000 m2 coberta com estufas, que conseguiu com a renda gerada pela comercialização dos "paniers" (cestas), sem a necessidade de financiamento com o banco, coisa que ele deixa claro evitar sempre que possível. Nessa área é onde se concentra a produção de hortaliças, sendo responsável pela garantia da variedade de produtos no inverno, que é bastante rigoroso na região e delimita bastante a produção.

Alguns agricultores convencionais que visitam sua área se surpreendem, pois existem poucas ervas daninhas. Arnaud explica que como não usa adubo químico, não tem infestação de ervas daninhas, com isso não necessita usar agrotóxico para controla-las, o que provoca o aumento das ervas daninhas.

Quando o assunto é a comercialização ele também tem suas estratégias. Atualmente trabalha com três mercados certos para vender seus produtos, a feira municipal de Saint-Dizier, o sistema de "paniers" (cestas) e, a entrega dos produtos que não são vendidos na feira para o refeitório de um órgão público na cidade de Troyes (município vizinho).

Entre essas estratégias de comercialização a principal é a Feira Municipal de Saint-Dizier, que ocorre todo sábado de 8 às 12 horas e tem grande frequência dos moradores. Durante a feira a barraca de Arnaud está sempre cheia, havendo fila para o atendimento, que é realizado por ele, sua mãe ou seu pai (às vezes os dois) e uma pessoa contratada.

A barraca apresenta grande variedades de produtos, diversas hortaliças, batatas, feijões, temperos verdes, ovos e frutas variadas, que as vezes são compradas de outros produtores orgânicos e revendidas. Ele também vende outros produtos que são de seus vizinhos, como óleo de girassol e canola, feijão verde e lentilha seca.
 
Alguns dos produtos comercializados na feira, ao fundo berinjelas e pimentões, na frente diferentes tipos de abóboras.
Além da feira, ele desenvolveu o sistema de comercialização de "paniers" (cestas), o que lhe garante certeza da comercialização de seus produtos e uma boa renda extra. O sistema de "paniers" funciona da seguinte forma: o agricultor oferece online toda segunda feira, a um grupo definidos de pessoas, uma lista dos produtos semanais, que os interessados buscam toda sexta feira, na casa do produtor, ao custo de dez euros.

Arnaud conseguiu fechar um contrato anual com um grupo de 40 pessoas, moradores da região que tinham interesse em obter alimentos orgânicos. Com base nesse acordo eles funcionam como se fossem uma AMAP - Association de Maintien de la Agriculture Paysan (Associação de Manutenção da Agricultura Camponesa), onde o agricultor se compromete e entregar, durante o período de um ano, cestas semanais com alimentos orgânicos e, os moradores, por sua vez, se comprometem em garantir a compra destas cestas.

Também oferece o serviço de "paniers" para diversos moradores de Saint-Dizier, que buscam as cestas na feira municipal, ao custo de 10 euros. É o agricultor que decide o que vai dentro das cestas (no geral vão sempre batatas no fundo) e os produtos tem o mesmo valor que são vendidos na barraca, mas evita que as pessoas tenham que escolher ou esperar na fila para comprar, quando chegam na feira os "paniers" já estão prontos.

Como forma de garantir que seus produtos são orgânicos ele trabalha com duas certificações, o selo francês (AB) e o da União Europeia. Atualmente os dois selos são utilizados em conjunto, havendo indicações de que o selo AB será substituído pelo da União Europeia, futuramente. 


A certificação funciona da seguinte forma, o produtor tem acesso às regras (caderno de especificações técnicas) e, depois de ler e concordar com elas, pede sua adesão. Após a adesão ele recebe uma visita de inspeção uma vez por ano, momento em que são avaliadas as faturas de compras (recibos dos pagamentos de insumos), para ter certeza que os produtos comprados foram orgânicos. Também são realizadas análises da terra e às vezes das próprias hortaliças.

O agricultor pode escolher a estrutura que vai ser responsável pela sua certificação, Arnaud encontrou uma organização bem pequena, que trabalha em sua região. Além da visita anual, ela faz de uma a duas visitas durante o ano, sem avisar a data em que virá, momento em que faz a fiscalização e observa se tudo está de acordo com as regras. O preço da certificação depende do tamanho da terra e do número de visitas realizadas, quanto maior a área e a quantidade de visitas, maior o valor pago. No caso dele o custo dos 6 ha com duas a três visitas ao ano fica em 500 euros.

Arnaud e seu pai, Hélio, ao lado da placa de identificação de seus produtos
Todo esse trabalho e realizado somente pela família, na parte da produção ele conta com o apoio do pai (que é aposentado) e uma jovem que contratou em tempo parcial. O pai ajuda-o todos os dias, uns dias mais que outros. A jovem foi contratada para trabalhar em tempo parcial, incluindo as manhãs de sábado na feira.

A maioria do trabalho é realizado na área das estufas, onde são plantados os cultivos rápidos. Além dos trabalhos relacionados ao plantio e aos tratos culturais, são necessárias duas horas de trabalho administrativo por semana. Durante esse tempo são feitas as encomendas de sementes, o controle dos "paniers" e pesquisas relacionadas à produção.

Arnaud, que tem formação técnica em eletromecânica, está bem integrado nos circuitos de economia solidária, além das suas formas de comercialização, que priorizam os circuitos curtos, ele ajuda uma agricultora com a manutenção de suas máquinas e, em troca ela ajuda-o nos momentos de maior trabalho, durante as safras.

Dessa forma ele contribui para a criação de uma proposta diferente de desenvolvimento, buscando o fortalecimento das redes sociais locais e a produção de alimentos de forma saudável e equilibrada.

"É um trabalho diário, mas eu estou feliz, sempre quis ser agricultor e fazer isso."
Arnaud Nunes, Inverno de 2014, Saint-Dizier, France.

Enviada por:
José Roberto Oliveira

 Mathilde Chaigneau
France