quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Pela primeira vez a Bahia receberá edição do Simpósio Internacional de Indicação Geográfica


A cidade de Ilhéus, no sul da Bahia, pela primeira vez será palco do principal evento de Indicação Geográfica já realizado no Brasil, o Simpósio Internacional de Indicação Geográfica. Na sua terceira edição, o evento, organizado pela Universidade Estadual de Santa Cruz  (UESC) em parceria com o Instituto Superior de Sustentabilidade (iSUS) e o Instituto Biofábrica, traz, como tema principal “A origem territorial como ferramenta estratégica de diferenciação nos mercados”. O simpósio acontecerá de 18 a 21 de novembro no Centro de Convenções Luiz Eduardo Magalhães.

O III SIIG objetiva aproximar o tema Indicação Geográfica do seu público alvo, principalmente aqueles que buscam proteção legal para seus produtos, agregação valor e novos mercados. Está confirmada a participação de diversas autoridades brasileiras e internacionais que juntos estarão apresentando e discutindo o que está acontecendo no mundo e no Brasil, visando potencializar o surgimento de novas IGs em nosso país.

Indicação Geográfica (IG) é um tema relativamente novo no Brasil e em nossa região. De acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) “as Indicações Geográficas se referem a produtos ou serviços que tenham uma origem geográfica específica. Seu registro reconhece reputação, qualidades e características que estão vinculadas ao local. Como resultado, elas comunicam ao mundo que uma certa região se especializou e tem capacidade de produzir um artigo diferenciado e de excelência”. No Brasil ela se divide em duas categorias: Indicação de Procedência - nome geográfico de um país, cidade, região ou uma localidade de seu território que se tornou conhecido como centro de produção, fabricação ou extração de determinado produto ou prestação de determinado serviço e Denominação de Origem - nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos.

Para o III SIIG algumas novidades estão sendo preparadas paralelo ao Simpósio, a “1ª Feira interativa de Indicações Geográficas” (1ª FIIG), que visa promover e divulgar as IGs oficialmente reconhecidas no Brasil e já conta com cerca de 21 IGs nacionais confirmadas e a Feira Origem Bahia, que tem como objetivo principal apresentar as potencialidades de indicação geográfica dos produtos e serviços baianos.

Outra inovação é a abertura de inscrições para a participação de produtores rurais de forma individual e através de grupo de produtores organizados em associações, cooperativas e sindicatos. Este formato possibilita ao agricultor regional a oportunidade ímpar de conhecer um pouco mais sobre IG através dos minicursos, palestras e a presença de experiências concretas de IGs brasileiras. O evento trará ainda ambientes repletos de atividades culturais, apresentações de grupos regionais, visitas técnicas a áreas de produção do cacau cabruca, fábricas de chocolate e alambique.

A participação dos produtores(as) rurais e agricultores(as) familiares da região cacaueira da Bahia é importante nesse momento pois o potencial para adquirir IG na Bahia é enorme, tanto com produtos regionais quanto com serviços oferecidos. A região cacaueira da Bahia já está se organizando para dar entrada do pedido da IG “Sul da Bahia” junto ao INPI através da Associação Cacau Sul Bahia. A associação que visa proteger e preservar a paisagem da região, sua origem, história e cultura, valorizando o produto cultivado sob as árvores da Mata Atlântica, através de um método que busca conservar o meio ambiente o sistema Cabruca, em assembleia realizada no dia 31 de outubro, já apresentou toda documentação que será depositada no INPI, com o aval do Ministério da Agricultura, para a criação da Identidade Geográfica do cacau sulbaiano.

Programação completa visitem:
http://nbcgib.uesc.br/nit/evento/siig/public/programacao.php

Maiores informações para inscrições para produtores rurais de forma individual e grupos de produtores organizados poderão ser feitas através link abaixo:
http://nbcgib.uesc.br/nit/evento/siig/public/inscricao.php

Outras informações visitem:
http://nbcgib.uesc.br/nit/evento/siig/public/index.php 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Documentário "O Veneno Está na Mesa II" de Sílvio Tendler


 Versão em português
Subtitulado en Español
 subtitled in English
Após impactar o Brasil mostrando as perversas consequências do uso de agrotóxicos em O Veneno está na Mesa, o diretor Sílvio Tendler apresenta no segundo filme uma nova perspectiva. O Veneno Está Na Mesa 2 atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. O filme apresenta experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, mostrando a existência de alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores.

Com este documentário, vem a certeza de que o país precisar tomar um posicionamento diante do dilema que se apresenta: Em qual mundo queremos viver? O mundo envenenado do agronegócio ou da liberdade e da diversidade agroecológica?

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After the impact of the first film, 'The Poison Is On The Table II' updates and goes deeper on the evil consequences for public health, caused by the use of chemicals in agriculture. This second feature focuses on the possible alternatives, respecting the environment, the country worker, and the consumer. With this documentary, comes a big question on which we must think: In which world do we want to live in? The poisoned world of the 'aggro-business' or the world of freedom and agricultural diversity?
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Realização: Caliban Cinema e Conteúdo
Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida
Fiocruz
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
Bem Te Vi
Cineclube Crisantempo

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

OCA participa da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2014 promovida pela UFSB em Itabuna, CAMPUS JORGE AMADO

Abertura do evento / Foto - Cláudio Lyrio
A OCA, Centro do Agroecologia e Educação da Mata Atlântica, participou da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2014 no Campus Jorge Amado em Itabuna. O evento, promovido pela UFSB, se entendeu para os Campus de Porto Seguro e Teixeira de Freitas.
Foto - Cláudio Lyrio
Foto - Cláudio Lyrio
Em Itabuna aconteceu, durante os dias 13 e 14 de outubro, em Ferradas, o "1º SER - Seminário sobre Sustentabilidade e Empreendedorismo", que proporcionou a troca de experiências envolvendo professores, estudantes, coordenadores de curso, técnicos de campo, empreendedores, produtores rurais, agricultores familiares e representantes de organizações da sociedade civil da região cacaueira da Bahia. 
Foto - Cláudio Lyrio
Foto - Cláudio Lyrio
  Durante o seminário temas como empreendedorismo social e ambiental, perspectivas de parques tecnológicos na região sul da Bahia, cultura inovadora em pequenos negócios, sustentabilidade para o desenvolvimento regional e empresas juniores foram debatidos.
Foto - Cláudio Lyrio
Foto - Cláudio Lyrio
Os participantes também trocaram experiências, com a apresentação de casos de sucesso de empreendedorismo na região, destacando a produção de cacau fino e agregação de valor desenvolvido pela  Lajedo do Ouro e  a produção artesanal de objetos de decoração da Cores da Terra, ambos do município de Ibirataia.
Apresentação Lajedo do Ouro / Foto - Cláudio Lyrio
Apresentação Lajedo do Ouro / Foto - Cláudio Lyrio
Apresentação Cores da Terra / Foto - Cláudio Lyrio
Apresentação Cores da Terra / Foto - Cláudio Lyrio
Transmissão on line / Foto - Cláudio Lyrio
Transmissão on line / Foto - Cláudio Lyrio

Transmissão on line / Foto - Cláudio Lyrio
Para conhecer visite:


http://www.coresdaterra.com.br/

A Bahia se prepara para a III Jornada de Agroecologia

Evento será realizado de 4 a 7 de dezembro, no Assentamento Terra Vista

É com muita alegria que os movimentos, povos, comunidades e instituições que participam da Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica vem convidá-l@ para a III Jornada de Agroecologia da Bahia.

A mobilização da rede e a continuidade das jornadas objetiva especialmente promover a troca permanente de saberes agroecológicos, tradicionais, identitários capazes de colaborar com o desenvolvimento das comunidades, com o resgate e expansão das praticas agroecológicas e especialmente com a soberania popular.

Deste modo, a III Jornada de Agroecologia da Bahia será realizada por essa Rede, objetivando aprofundar na construção dos princípios, práticas, encaminhamentos e unidade entre os povos que compõe essa TEIA, bem como envolver novos Elos. Para tanto, a programação deste encontro será baseada em espaços de diálogos, oficinas, mini cursos, feira de troca, especialmente com o enfoque: "Sementes, Ciência e Tecnologia agroecológica, para mudar a realidade das comunidades indígenas, quilombolas, das áreas de assentamentos e espaços urbanos".

INFORMAÇÕES GERAIS
O LOCAL DA JORNADA: Assentamento Terra Vista, Arataca – Bahia
Data: 4 a 7 de dezembro de 2014
Chegada: dia 03 para montar acampamento
Inscrições: baixe a ficha aqui e envie para jornadadeagroecologiadabahia@gmail.com

* Acesse os vídeos e conheça mais sobre o Assentamento e a Jornada:

Apoio:


O que difere agricultura familiar, orgânica e agroecológica? Saiba assistindo à entrevista concedida por Maria Emília Pacheco, assessora da FASE, ao Canal Futura

A ONU declarou 2014 como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar”. Para debater o assunto, o Canal Futura entrevistou Maria Emília Pacheco, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Ela, que integra a FASE, apresentou visões sobre o que é agricultura familiar, produção orgânica e agroecologia.

Durante o programa, exibido na TV em agosto, Maria Emília explica que a agroecologia é uma ciência, um movimento social e também suas práticas. Ela possui dimensões tecnológicas, sociais, políticas e econômicas. Além de não usar venenos, vai além: realiza o manejo sustentável, valoriza as sementes tradicionais e cultiva alimentos em harmonia com a natureza e a cultura local.

Já sobre a produção orgânica, Maria Emília disse ser a que não faz uso de agrotóxicos, porém não necessariamente engloba a diversidade, um princípio chave da agroecologia. Por último, ela destacou que “a agricultura familiar é o sujeito dessa história”. É por meio dela que já se desenvolve a agroecologia ou se está buscando uma transição do modelo de agricultura tradicional para um alternativo.
 
Confira a entrevista:
 
 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

ICE MUSIC

Na Lapônia suéca há uma orquestra que abraça sua ascendência ártica criando música com algo que nunca vimos antes: gelo. Seus instrumentos são todos feitos de gelo e são capazes de fazer música absolutamente linda. A "The Ice Music Orchestra" desempenha suas apresentações em um iglu gigante que brilha e pulsa junto com a música. Assista ao vídeo no final desse post. - See more at: http://www.nozesnews.com.br/2014/03/uma-orquestra-como-voce-nunca-viu-que.html#sthash.YBtdTFAm.dpuf
Na Lapônia suéca há uma orquestra que abraça sua ascendência ártica criando música com algo que nunca vimos antes: gelo. Seus instrumentos são todos feitos de gelo e são capazes de fazer música absolutamente linda. A "The Ice Music Orchestra" desempenha suas apresentações em um iglu gigante que brilha e pulsa junto com a música. Assista ao vídeo no final desse post. - See more at: http://www.nozesnews.com.br/2014/03/uma-orquestra-como-voce-nunca-viu-que.html#sthash.YBtdTFAm.dpuf

Conheça Thilafushi, uma ilha Maldivas que serve de lixão

Quando você acha que já viu de tudo nesse mundo, sempre aparece alguma notícia que te faz perceber que você está errado.
As Ilhas Maldivas são conhecidas pela beleza estonteante dos seus arquipélagos paradisíacos, mas tem uma ilha que está dando dor de cabeça para as autoridades locais: a Thilafushi, também conhecida como lixeira flutuante.
Bonitinha de longe, ordinária de perto
Lá em 1992 o pessoal teve a ~grande~ ideia de criar uma ilha artificial para servir de lixeira gigante para Male, a capital – que hoje concentra cerca de um terço dos 300 mil habitantes de toda as Maldivas. Só que com o turismo em alta esse material residual não foi tratado, o que gerou um grande problema em 2011. Diariamente dezenas de barco-lixeiras saem com destino a Thilafushi, com origem dos grandes centros turísticos que, em média, produzem 3,5 quilos de lixo por pessoa em um dia – agora façam as contas disso com 850 mil turistas no ano. É entre 300 e 400 toneladas de lixo por dia.
O grande problema ali é que inevitavelmente existe um vazamento de lixo tóxico – chumbo, mercúrio, cádmio, amianto… – que vai direto para o oceano, já que o aterro foi criado em uma maldita ilha, cujo solo não é firme. Que ideia de girico, convenhamos.
De uns anos para cá as autoridades estão desesperadas com esse problema que arranjaram, porque essa bomba chamada Thilafushi contribui muito para a fragilização geral do meio ambiente na região das Maldivas, porque: 1) Elevação do nível do mar e aquecimento global. 2) A água ácida tem efeitos desastrosos nos corais, que por sua vez fabricam os recifes, ou seja, sem recifes, sem ilhas. 3) A incineração do lixo tóxico é feita sem nenhum cuidado, então a população sofre com o as fumaças insalubres. O diretor de gestão dos resíduos da Agência de Proteção Ambiental das Maldivas disse com muita sinceridade que não há dados da saúde publica sobre o impacto da ilha-lixeira, mas que percebe o tamanho do problema quando se vê o número de doenças pulmonares em Male, capital situada a 20 minutos de barco do local.
Atualmente as autoridades das Maldivas estão procurando limitar a nocividade da ilha, mas encontram dificuldades. A ideia é elaborar uma lei que especifica os detritos a serem incinerados: apenas matérias orgânicas. O restante do lixo reciclável é encaminhado para exportação – especialmente ferro e plástico – para países como China, Malásia e Índia. O lixo já é o segundo item de exportação do país, ficando atrás dos produtos de pesca.
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Projeto de reciclagem envolve iniciativa privada e sociedade civil no Rio de Janeiro

O Ambev Recicla é um projeto que ajuda as cooperativas de reciclagem a melhorar a gestão e a produtividade, além da vida de várias pessoas, como o Leandro, a Zilda e o Wilson da Ecobarrerias da Lagoa de Itanhangá, no Rio de Janeiro. Descubra como promover o descarte correto e a reciclagem não é só uma ideia, é como ela pode melhorar o mundo.

Concurso Internacional de Fotografia “A agricultura familiar: alimentar o mundo, cuidar da terra”


Participe da seleção

A Rede AgriCulturas (Agricultures Network) em parceria com o Fórum Rural Mundial (World Rural Forum) lançou o Concurso Internacional de Fotografia “A agricultura familiar: alimentar o mundo, cuidar da terra” com o objetivo de revelar em luz e cores a expressiva presença e os múltiplos papéis positivos que agricultoras e agricultores familiares desempenham para sociedades ao redor do planeta.

Nos primeiros meses de 2014, a Rede recebeu mais de 1300 fotos vindas de todos os continentes. Em seguida, um júri internacional composto por lideranças de agricultores e artistas de renome fez uma pré-seleção das fotos recebidas. Estamos agora na hora da “Escolha Pública”. Convidamos você a contribuir na seleção das imagens mais significativas dentre as fotos selecionadas pelo júri.

Para fazer a seleção clique em aqui e escolha duas imagens de cada continente.

As escolhas públicas, bem como os vencedores selecionados pelo júri internacional, serão anunciados em um grande evento internacional, no final de outubro. Os vencedores receberão um prêmio em dinheiro e terão suas fotos publicadas no calendário 2015 que será produzido pela Rede.

O concurso é uma iniciativa idealizada como parte das ações da Rede AgriCulturas no Ano Internacional da Agricultura Familiar.
 

Feiras e consumidores agroecológicos


De acordo com Renata Souto, assessora técnica da AS-PTA, o momento é estratégico para a agroecologia. Ela destaca a criação das feiras agroecológicas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “A agroecologia tem relação com experimentação, observação e convívio”, explica Renata. Callado é um dos agricultores que comercializam direto em uma feira. Ele participa da feira do Bairro Peixoto, aos sábados, em Copacabana, integrante do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas. A esposa Beth faz licores de acerola, banana e morango. Callado, que gosta de ouvir, está atento aos anseios de seus clientes. Na opinião, quem consome deve de igual forma fazer a transição para a agroecologia em suas escolhas alimentares.

Ele considera que 90% dos fregueses que vão à sua barraca são consumidores agroecológicos. Entusiasmado, cita exemplos de saberes que tem compartilhado sobre a lavoura, e percebe o interesse dos consumidores da cidade em conhecer mais sobre os alimentos. Como na plantação, há aqui também uma sinergia propícia para uma mudança de mentalidade, como propõe esse modelo agrícola. Renata justifica que as feiras agroecológicas são uma forma de democratizar o acesso ao conhecimento e ao alimento saudável, com preço justo. “Olhar para o valor final é uma questão importante nas feiras agroecológicas”, diz a técnica. Esses pontos de comercialização, assim como em outros locais estratégicos, dão autonomia para o agricultor comercializar e facilidade de acesso pelo consumidor ao alimento saudável.

Callado e Renata estão afinados com as intenções da Carta Política do ENA ao evidenciar que “o fortalecimento de alianças entre essas forças sociais vem criando condições para que as práticas e atores responsáveis pela produção, distribuição e consumo de alimentos saudáveis tornem-se mais visíveis, rompendo progressivamente com o monopólio da comunicação, imposto pela aliança entre o agronegócio e a grande mídia”. Na agroecologia, os processos de produção e socialização do conhecimento são reconhecidos e valorizados.

sábado, 27 de setembro de 2014

A Batalha de Belo Monte




Candidatas do PT, PSB, PV e PSol aderiram à Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, garantindo que o combate à escravidão contemporânea será prioridade em suas gestões


As candidatas à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) aderiram à Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, afirmando que estabelecem como prioridade o combate à escravidão contemporânea em suas gestões, caso sejam eleitas. Ambas estão empatadas tecnicamente em primeiro lugar de acordo com a última pesquisa Datafolha. Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (PSol) também aderiram ao compromisso. O candidato Aécio Neves (PSDB) foi convidado a assinar a carta mas ainda não se pronunciou.

Lançada pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e aplicada nas eleições de 2006, 2008, 2010 e 2012, a carta tem servido como instrumento de monitoramento das políticas públicas voltadas a esse tema por parte da imprensa, organizações da sociedade civil e eleitores.

Entre as promessas assumidas, está a de que o candidato ou candidata renunciará ao mandato caso seja encontrado trabalho escravo sob sua responsabilidade ou se ficar comprovado que alguma vez já se utilizou desse expediente. E de que será prontamente exonerada qualquer pessoa que ocupe cargo público de confiança sob sua responsabilidade que vier a se beneficiar desse tipo de mão de obra. 
Marina Silva
Luciana Genro
Eduardo Jorge
Dilma Rousseff
Também estão os compromissos de defender a definição de trabalho análogo ao de escravo hoje presente no artigo 149 do Código Penal, evitando mudanças que prejudiquem o combate a esse crime, e não promover empreendimentos e empresas, dentro ou fora do país, que tenham utilizado mão de obra escrava.

Durante as eleições de 2010, dezenas de candidatos aos governos dos Estado e à Presidência da República assinaram o documento. Ao final, 12 governadores eleitos (Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Piauí, São Paulo e Sergipe) e a atual presidente da República aderiram à carta.

Como resultado, políticas públicas adotadas nas gestões dos eleitos tiveram origem no documento, como a criação de Comissões Estaduais e Municipais de Erradicação ao Trabalho Escravo, o lançamento de Planos Estaduais de combate a esse crime, a aprovação de leis que restringem as compras públicas de mercadorias produzidas com trabalho escravo, criam entraves à existência de empresas responsabilizadas pela situação ou aumentam as punições a quem usa esse tipo de mão de obra.

Uma assinatura voluntária não é a certeza de que, uma vez eleito, o administrador irá cumprir o prometido. Mas é um bom instrumento para que o cidadão monitore e cobre de seu governante. E, daqui a quatro anos, pense duas vezes antes de dar-lhe outro voto de confiança. As cartas assinadas podem ser encontradas aqui.

Governo não criará grupo contra trabalho escravo, pois ele existe desde 95


Por Leonardo Sakamoto
 
Um colega jornalista me liga para uma consulta antes do fechamento. Um tanto quanto revoltado, pergunta a razão de só agora o governo brasileiro ter instituído um grupo para fiscalizar trabalhadores escravizados e libertá-los. Diante da minha surpresa pela informação um tanto quanto fora de prumo, ele me envia matérias de outros colegas narrando a novidade.

Digo a ele que tal grupo existe desde 1995, instituído na época em que o governo Fernando Henrique Cardoso reconheceu diante das Nações Unidas a persistência de formas contemporâneas de escravidão no paos. E, que atuando de forma ininterrupta desde então, em um dos raros casos de política de Estado que perpassa diferentes grupos no poder, libertou mais de 46 mil pessoas.

Ele não se convence. Diz que o Ministério do Trabalho e Emprego soltou uma portaria (446/2014) em que institui a criação dos grupos móveis de fiscalização e abre espaço para a reforma sobre o conceito de trabalho análogo ao de escravo – antigo sonho dos ruralistas, que querem enfraquecer a definição, diminuindo o risco de punição.

Explico que a portaria tem o objetivo de disciplinar as formas de seleção de auditores fiscais do trabalho para participarem desses grupos e que portarias editadas em 1995 e em 2002 já regulavam a atividade dessas equipes (que, acreditem, são uma das poucas políticas públicas que funcionam bem neste país). A 446 foi necessária porque uma outra portaria, a 2027/2013, havia tratado de normas gerais para os diferentes grupos de fiscalização existentes, tornando necessário atualizar as regras para o grupo de trabalho escravo, que já existia.
Dada a insistência dele, chequei como o Ministério do Trabalho e Emprego, que confirmou que nada muda com o grupo móvel (com exceção ao formato de ingresso para participar das equipes), muito menos com o conceito que baliza os resgates e todas as normas envolvidas, que podem ser encontradas na Instrução Normativa número 91.

Se você, milagrosamente, acompanhou este texto até aqui, deve tê-lo achado a coisa chata que já leu em toda a sua vida. E garanto que estará coberto de razão.

Uma das funções do jornalista é traduzir informações para uma linguagem que a maioria das pessoas possa entender. Uma boa matéria não é aquela que te enfia goela abaixo um milhão de dados (até porque excesso de informação gera desinformação), e sim aquela em que o jornalista faz de tudo para entender o assunto e explicá-lo a você.

E quando os jornalistas não conseguem entender, traduzir e empacotar a informação por ignorância, incompetência, má fé ou (e principalmente) pela exigência de cumprimento de prazo em uma linha de montagem que impede que o profissional de imprensa se debruce sobre um tema para produzir um trabalho bem feito – linha de montagem que assustaria até Charles Chaplin, em Tempos Modernos?

Daí, fica complicado… Pois uma futura correção do erro nunca chegará a tantos lugares quanto a divulgação original do erro em si.

Enfim, nada muda nos grupos que resgatam escravos, a principal política de combate a esse crime no país, criada por FHC, incentivada por Lula e mantida por Dilma. Para desespero do pessoal simplista e limitado que acha que qualquer coisa que veio de um governo do PSDB ou do PT, ou é por um deles tocado, é a titica do cavalo do bandido.
 
 

Espécie de pássaro recém-descoberta na Bahia está ameaçada de extinção

 Uma nova espécie de pássaro natural da mata atlântica mal foi descoberta e já se encontra ameaçada de extinção.

O pequeno pássaro de 12 cm de altura, conhecido popularmente como macuquinho-preto-baiano, foi cientificamente batizado como Scytalopus gonzagai em homenagem ao pesquisador Luiz Pedreira Gonzaga.

Há mais de 20 anos, Gonzaga observou pássaros na região de Boa Nova, na Bahia –a 480 quilômetros da capital Salvador– e havia coletado e empalhado um exemplar, sem saber que se tratava de uma nova espécie.

Não teria sido fácil o cientista identificar o pássaro como um animal ainda desconhecido. A espécie é muito semelhante a seu "primo" Scytalopus speluncae –ou macuquinho-preto–, em coloração e tamanho.
Curiosamente, as duas espécies de pássaro, mesmo habitando áreas geograficamente separadas (a S. speluncae ocorre entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul), são fisicamente semelhantes.

Mas quatro características permitiram que o zoologista Giovanni Maurício, da Universidade Federal de Pelotas, e seus colaboradores diferenciassem os S. gonzagai dos S. speluncae.

A primeira é o tamanho do bico –na espécie recém-descoberta ele é maior e mais robusto. A segunda é uma cauda menor.

Terceira: após gravar o canto dos diferentes pássaros, os pesquisadores foram separar as espécies pela "identidade vocal" das aves.

E a quarta, que ratifica as demais, é a análise genética. Foi feito um sequenciamento genético das duas espécies, e foi constatado que os S. gonzagai e os S. speluncae tiveram um ancestral em comum há cerca de 7 milhões de anos.

Para se ter uma ideia, o último ancestral comum entre o homem o chimpanzé habitou o planeta há cerca de 6 milhões de anos.

EXTINÇÃO

Os cientistas estimam que há menos de 3 mil exemplares da nova espécie, um para cada dois hectares (ou cinco campos de futebol), o que a coloca em perigo de extinção.

O habitat natural é restrito a regiões mais montanhosas e frias da mata atlântica, já bastante raras após a ocupação humana.

O pássaro faz seus ninhos entre pedregulhos, geralmente no chão, e não consegue voar por muito mais que cinco metros. Isso pode fazer com que o S. gonzagai seja predado por cobras e até mesmo por algumas aranhas, segundo o pesquisador. O estudo, financiado pela BirdLife International e pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, foi publicado na revista norte-americana "The Auk", especializada em ornitologia –estudo de aves.