Audiovisual produzido por Cláudio Lyrio (OCA/CineClube Mocamba) descrevendo a I Feira Ecosolidária em Condomínios da cidade de Itabuna na Bahia realizada no Condomínio Real Ville durante o mês de agosto de 2012.
O objetivo da feira foi criar alternativas de comercialização dos produtos da agricultura familiar, oriundos de assentamentos rurais do território Litoral Sul, baseadas em princípios da Economia Solidária, tendo como pano de fundo a agroecologia. Procurou-se a aproximação dos produtores - agricultores familiares - dos consumidores finais, estabelecendo assim relações solidárias com o mercado consumidor.
Aconteceu no sábado dia 18/04/2012 a I FEIRA ECO-SOLIDÁRIA em condomínios na cidade de Itabuna, no sul da Bahia. O Residencial Real Ville foi o condomínio escolhido para o inicio da ação organizada pela OCA – Centro de Agroecologia e Educação da Mata Atlântica, a COOPERCENTROSUL – Cooperativa de Pequenos Produtores de Cacau, Mandioca e Banana do Centro Sul da Região Cacaueira LTDA. e o Condomínio Real Ville, através dos seus condôminos.
O objetivo da feira foi criar alternativas de comercialização dos produtos da agricultura familiar, oriundos de assentamentos rurais do território Litoral Sul, baseadas em princípios da Economia Solidária, tendo como pano de fundo a agroecologia. Procurou-se a aproximação dos produtores - agricultores familiares - dos consumidores finais, estabelecendo assim relações solidárias com o mercado consumidor.
Todos os moradores que estiveram presentes na feira tiveram a oportunidade de adquirir produtos orgânicos, fresquinhos e de qualidade, além de conversar diretamente com as pessoas que produziram o alimento. Também puderam fazer várias sugestões como, por exemplo, outros produtos que poderiam ser oferecidos numa próxima oportunidade, como: frutas (graviola, laranja, etc.), polpas de frutas, jiló, ovo caipira, limão, mamão, pimenta malagueta, pimenta de cheiro e maxixe. Segundo Elbert Almeida, síndico e morador do Condomínio Real Ville, “a iniciativa é de singular importância porque a Feira Eco-Solidária tem uma dupla proposta que é fazer a ponte da produção da agricultura familiar com o consumidor direto, aproximando os dois mundos, o campo e a cidade, e facilitando a construção de relações comunitárias e solidárias, solidificando e melhorando o convívio social”.
De acordo com os agricultores, essa foi uma excelente oportunidade para sentir a necessidade do mercado e, acima de tudo, poder oferecer um produto de qualidade ao consumidor, eliminando o atravessador e fortalecendo as organizações dos agricultores através da cooperativa.
De acordo com levantamento realizado, os produtos comercializados foram: alface, couve, salsa, coentro, quiabo, aipim, chuchu, batata doce, banana da terra, banana prata, milho verde, limão, pimenta, flores tropicais da Mata Atlântica, abacaxi, cacau e abóbora. As vendas totalizaram um montante de R$300,00 (trezentos reais) em aproximadamente 4 horas de feira.
Na próxima semana a comissão organizadora estará se reunindo para realizar o processo de avaliação e preparar a próxima edição da Feira Eco Solidária em condomínios.
Estamos preparando um vídeo documentário sobre a feira. Por enquanto, vejam os melhores momentos através dos olhares de Cláudio Lyrio, Jackson Souza e Janaína Nunes.
Aconteceu nos dias 10 e 11 de agosto de 2012 a "Mostra do Audiovisual Cultural em Assentamentos Rurais da Bahia - Cine Mocamba – Agroecologia in Foco"no assentamento Terra Vista, cidade de Arataca, sul da Bahia. Para a realização desta primeira atividade foi importante o apoio logístico do Instituto Cabruca e da coordenação do assentamento - nas pessoas de Solange e Joelson, que também garantiu a mobilização dos assentados e assentadas.
Tendo como objetivos fortalecer os espaços coletivos dos assentamentos, contribuindo para a consolidação desses espaços culturais por meio da mostra de audiovisuais que tratem questões referentes à cultura e agroecologia, valorizar e divulgar produções audiovisuais, assim como trabalhar a formação de plateia no meio rural e incentivar a criação de espaços de discussão a respeito das temáticas abordadas nos audiovisuais, além do cineclubismo e a produção de audiovisuais no macroterritório, a Mostra obteve o êxito esperado.
Procurando criar um “clima de cinema” a equipe de produção garantiu a pipoca e a coordenação do assentamento garantiu o salão do Centro Integrado de Formação Florestan Fernandes.
O primeiro dia da Mostra, sexta-feira - 10/ago, contou com a presença de 65 expectadores, entre crianças, jovens, adultos e idosos. Todos os presentes tiveram a oportunidade de assistir 07 produções audiovisuais nacionais, organizadas em 02 sessões, com destaque especial para a exibição do filme “A Rede – Rede Produtiva Frutos da Terra”, realizado através da parceria da AECA/BA (Associação Estadual de Cooperação Agrícola / Bahia), OCA / Cineclube MOCAMBA (Centro de Agroecologia e Educação da Mata Atlântica) e UCC-BA (União dos Cineclubes da Bahia).
A próxima edição acontecerá no assentamento Lulão, município de Santa Cruz Cabrália durante os dias 01 e 02 de setembro de 2012.
A OCA
– Centro de Agroecologia e Educação da Mata Atlântica, em parceria com a COOPERCENTROSUL
– Cooperativa de Pequenos Produtores de Cacau, Mandioca e Banana do Centro Sul
da Região Cacaueira LTDA. e o Condomínio Real Ville, estarão realizando no próximosábado, dia 18 de agosto na área livre do Condomínio Real Ville na cidade de Itabuna a 1ª FEIRA ECO-SOLIDÁRIA em condomínios.
As
feiras da economia solidária constituem importante estratégia de
comercialização, combinando espaços de venda direta e trocas solidárias. Os
espaços das feiras também resgatam as relações entre produtores e consumidores,
favorecendo a fidelidade do consumo de produtos agroecológicos da agricultura
familiar.
Existe
o desejo dos parceiros em estabelecer um calendário regular da FEIRA
ECO-SOLIDÁRIA NO CONDOMÍNIO REAL VILLE, de acordo com o interesse e a
necessidade dos condôminos. Além da organização e realização deste evento esta
parceria também procurará realizar outras atividades e ações que sejam
importantes para todos.
FEIRA ECO-SOLIDÁRIA NO CONDOMÍNIO REAL
VILLE
(comercialização de produtos oriundos
da agricultura familiar)
LOCAL:
ÁREA LIVRE DO CONDOMÍNIO REAL VILLE DATA: 18
DE AGOSTO DE 2012 (sábado) HORÁRIO: DAS 07h00min ÀS 11h00min (manhã)
A SUA PARTICIPAÇÃO É DE FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA!!!!
Democratizar o cinema e levá-lo para
espaços públicos e populares é o que propõe a Mostra Audiovisual – Cine Mocamba
que estará acontecendo nos territórios Baixo Sul, Litoral Sul e Costa do
Descobrimento, mesorregião sul da Bahia, durante os meses de julho, agosto e
setembro de 2012.
As características principais do sul da
Bahia foram influenciadas pela história da colonização do Brasil, a exploração
de seus recursos e belezas naturais e o cultivo do cacau. A crise do cacau na
década de 90 abriu caminho para a alta concentração de assentamentos de reforma
agrária, principalmente na região cacaueira, que veio se ampliando cada vez mais
ao longo dos anos. Apesar da inegável importância para o desenvolvimento
regional e nacional, em geral os assentamentos na Bahia acompanham
o padrão de precariedade do meio rural brasileiro, refletindo uma posição de
omissão do Estado. Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, é riquíssimo em
diversidade cultural o espaço dos assentamentos rurais de reforma agrária,
abrigando uma intensa rede de relações interpessoais que propiciam inúmeras
experiências práticas, produtivas, organizativas e culturais.
Voltada para o público dos assentamentos rurais de
reforma agrária, de diversas faixas etárias, “Agroecologia in foco” é o tema
desta nova edição. Inicialmente serão 03 assentamentos que estarão recebendo a
Mostra, cuja programação conterá curtas, médias e longas metragens, documentários
e animações. Seus objetivos são fortalecer os espaços coletivos dos
assentamentos - contribuindo para a consolidação desses espaços culturais por
meio da mostra de audiovisuais que tratem questões referentes à cultura e
agroecologia - valorizar e divulgar produções audiovisuais, trabalhar a
formação de plateia no meio rural e incentivar a criação de espaços de
discussão a respeito das temáticas abordadas nos audiovisuais, além do
cineclubismo e a produção de audiovisuais na região.
A comunidade dos assentamentos rurais
contemplados com a Mostra e toda a região estão convidadas a prestigiarem esse
evento cultural.
A Mostra do Audiovisual Cultural em
Assentamentos Rurais da Bahia - Cine Mocamba – Agroecologia in foco foi
premiada através do edital 01/2012 – Calendário das Artes promovido pelo
Governo do Estado da Bahia, Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do
Estado da Bahia.
A entrada é franca. Boa sessão para todas e
todos!
O Conselho Indigenista Missionário, Cimi, vem a público
manifestar indignação frente à publicação, neste dia 17 de julho, da portaria
303, no Diário Oficial da União.
O Governo Federal, fazendo uso da Advocacia Geral da União,
manipula, escandalosamente, a decisão do Supremo Tribunal Federal, tomada no
âmbito da Petição 3388, que diz respeito exclusivamente ao caso da Terra
Indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, não possuindo, portanto,
efeito vinculante. Nesse sentido, já há três decisões liminares de Ministros do
STF que manifestam esse entendimento. Além do mais, o caso ainda não transitou
em julgado. Com a presente portaria, o Governo desvirtua a decisão da Suprema
Corte generalizando e retroagindo a aplicabilidade das chamadas “condicionantes”
emanadas no julgamento do caso citado.
O absurdo é tamanho que o Executivo chega ao ponto de
determinar que sejam “revistos” os procedimentos em curso que estejam em
desacordo com a portaria, bem como, que sejam “revistos e adequados” até mesmo
os procedimentos já “finalizados”. Em momento algum os Ministros do STF deram
qualquer indicação de que as “condicionantes” teriam essa extensão. Esse
dispositivo previsto no artigo 3 da referida portaria, constitui-se um ato
inconseqüente e de extrema irresponsabilidade na medida em que propõe a revisão
das demarcações de terras já concluídas, o que geraria uma instabilidade
jurídica e política sem precedentes. Na prática, isso significaria a
conflagração generalizada de conflitos fundiários envolvendo a posse das terras
indígenas, inclusive a reabertura daqueles anteriormente solucionados com o ato
demarcatório.
A real intencionalidade do Governo brasileiro ao editar a
presente portaria não é outra senão a de tentar estancar de vez os
procedimentos de reconhecimento de demarcação de terras indígenas no país.
Usando uma decisão do STF como subterfúgio, o Governo Federal, mais uma vez,
“dobra os joelhos” e, rezando a cartilha do capital ditada pelo agronegócio,
tenta pôr uma “pá de cal” sobre o artigo 231 da Carta Magna de nosso país.
A presente portaria é uma excrescência jurídica e dessa
forma deverá ser tratada. Constitui-se, no máximo, numa peça política mal
formulada. Trata-se de mais um ato de profundo desrespeito e afronta aos povos
indígenas e seus direitos constitucionalmente garantidos.
O Cimi tem plena convicção de que os Ministros do STF não
permitirão que suas decisões sejam usadas para atacar os preceitos
constitucionais vigentes.
O Cimi, junto com os povos indígenas do Brasil, fará uso de
todos os meios jurídicos possíveis para demonstrar a ilegitimidade e a
ilegalidade desta portaria.
A sistemática violação dos direitos humanos por parte da
Marinha do Brasil na área quilombola do Rio dos Macacos leva a comunidade ao
nível de tensão altissimo, provocando vários tipos de problemas graves e,
inclusive, mortes. Como ontem se deu com um senhor de 75 anos. Leia o desabafo de
Vilma Reis, escrito depois do enterro do morador:
Sepultamento e Revolta em Rio dos Macacos
Hoje à tarde vivemos o inacreditável, fomos ao enterro de um
morador de Rio dos Macacos, no Cemitério de Periperi, que depois de deliberada
ação de assédio por parte da Marinha do Brasil, depois de ver muitas árvores
que ele plantou morrerem misteriosamente envenenadas, ainda na semana passada
ouviu de uma moradora da Vila Naval, construção irregular dentro do Território
Quilombola (…): “O senhor e todos os seus vão embora, o senhor será o
primeiro”; este homem de 75 anos não aguentou a pressão, passou mal, infartou,
foi internado no Hospital do Subúrbio no final de semana e na madrugada de
ontem para hoje veio a óbito.
Não podemos ficar em silêncio. Que o Relatório do INCRA
tenha força da luta de todos e todas que acreditam na justeza da causa de Rio
dos Macacos, que luta numa batalha desigual contra a Marinha de Guerra do
Brasil.
O mesmo modus operandi usado para matar dona Maria do
Paraguassú e seu Altino, está sendo movido contra Rio dos Macacos, esta foi a
causa mortis de seu Antonio. Não ficaremos em silêncio.
Outras pessoas mais velhas da Comunidade Quilombola Rio dos
Macacos, após saber da morte de Seu Antônio, passaram mal e estão no hospital
ou necessitaram de cuidados especiais. Chega! Veta a Marinha, Dilma, a senhora
presidente foi uma vítima direta das forças de armadas deste país.
Não iremos a outro enterro; muitas pessoas passaram mal no
enterro.
É uma iniciativa do Instituto Socioambiental – ISA em
parceria com as associações das comunidades quilombolas, EAACONE- Entidade de
Articulação das Associações das Comunidades Negras do Vale do Ribeira,
FACQUIVAR- Federação das Associações das Comunidades Quilombolas do Vale do
Ribeira, ITESP- Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, FF-
Fundação Florestal do Est. SP, USP-Leste e Prefeituras de Eldorado, Iporanga,
Apiai, Itaóca e Registro.
A feira de trocas de sementes e mudas visa reforçar a
importância da roça na manutenção da cultura quilombola do Vale do Ribeira para
garantir a segurança alimentar das comunidades envolvidas. Este evento mobiliza
as comunidades, a população da cidade de Eldorado -SP e os convidados,
resultando em troca de sementes, mudas e outros produtos tradicionais. O
trabalho agrícola é a principal atividade produtiva nos quilombos do Vale do
Ribeira. Empenhados em produzir alimento para o sustento das famílias, homens e
mulheres cultivam arroz, feijão, milho, mandioca, cana, banana e uma variedade
de outros tubérculos, verduras, hortaliças e frutas. O reconhecimento da
importância das roças para a subsistência e segurança alimentar das comunidades
quilombolas é notório e recorrente. A atividade de cultivo supõe um conjunto de
relações, saberes e práticas que, ancorados em valores compartilhados, serve de
base para a organização sociocultural quilombola. A roça é o centro deste
sistema agrícola e por isso, se decai, leva consigo uma série de outros
aspectos caros à manutenção do patrimônio cultural das comunidades quilombolas.
Antecede a Feira um Seminário, que terá como tema o papel da
roça na segurança alimentar e na cultura quilombola, prevê a participação de
cerca de 100 pessoas, representando as 25 comunidades presentes, instituições
parceiras, outras comunidades tradicionais e gestores públicos. Espera-se do
conjunto de relatos dos quilombolas uma discussão a respeito da questão das
roças, inserção dos jovens nas atividades tradicionais e políticas públicas de
valorização e conservação das roças e sementes.
Data e Local:
Seminário – Data: 17/08/2012
Feira – Data: 18/08/2012
Local: Praça Nossa Senhora da Guia no município de Eldorado,
Vale do Ribeira (SP)
Durante a feira grupos culturais vindos das comunidades se
apresentarão.
Você sabe o que é uma comunidade quilombola?
É uma comunidade negra rural habitada por descendentes de
africanos escravizados, com laços de parentesco, que vivem da agricultura de
subsistência, em terra doada, comprada ou secularmente ocupada por seus
antepassados, os quais mantêm suas tradições culturais e as vivenciam no
presente, como suas histórias e seu código de ética, que são transmitidos
oralmente de geração a geração.
Por que precisamos da sua doação?
Para garantir a realização da V Feira de Trocas de Sementes
e Mudas e o Seminário de trocas de experiência.
Durante 4 anos a feira foi realizada e os resultados obtidos
foram positivos no sentido de garantir a segurança alimentar dessas
comunidades, dada a importância queremos dar continuidade e realizar a V edição
da feira para isso precisamos de você!
Começa nesta quinta-feira,19, e se estende até o próximo
domingo, 22, em Itabuna, o 6º Nordestão das Comunidades Eclesiais de Base(CEBs)
da Igreja Católica, onde abordará o tema “Justiça e Profecia a Serviço da Vida
no Nordeste”.
Segundo a coordenadora do encontro Ana Maria, participarão
cerca de 600 pessoas entre delegados de todos os Estados da região Nordeste
brasileira, e membros das equipes de trabalho oriundas dos municípios que
compõem a Diocese de Itabuna.
As atividades ocorrerão na Vila Olímpica e no Colégio
Lourdes Veloso, bairro São Caetano. Celebrações, oficinas, estudos, e momentos
culturais fazem parte da programação que inicia às 19h, desta quinta, na Vila
Olímpica. Padres, lideranças e autoridades eclesiais a exemplo do Bispo Dom
Ceslau Stanula estão confirmados na abertura.
O encontro conta com apoio de instituições religiosas,
empresas, prefeituras e do deputado Estadual Yulo Oiticica(PT).
Assessoria
As oficinas temáticas que darão o tom do encontro discutirão
os temas como espiritualidade, ecologia, políticas públicas, movimentos sociais
e sustentabilidade. A assessoria ficará por conta do juiz Jorge Moreno, do
pastor Marcos Monteiro e do Frei Gilvander.
As Comunidades Eclesiais de Base surgiram na década de 60,
no contexto do Concílio Vaticano II, que segundo os seus seguidores, resgatou a
dimensão comunitária do Evangelho e a relação da Igreja com a realidade social.
O Conjunto Palmeira (32 mil habitantes), na periferia de Fortaleza (CE), fica a 7 km da agência bancária mais próxima. D. Lourdes, moradora do bairro, para receber mensalmente o benefício do Bolsa-Família, tem que pegar um coletivo para ir e voltar, gastando R$ 4 e no mínimo 1h30min de deslocamento.
Como é dia de pagamento, agência superlotada, com sorte vai ficar na fila outra 1h30. Se tomar uma água, lá se vão R$ 1,50. Esse custo visível (R$ 5,50), 6% do seu benefício, fica bem maior se somarmos a isso o custo com o tempo gasto, ao risco de assalto (no coletivo e no banco), ao custo ambiental com deslocamento, ao custo da saúde perdida com o estresse e ao fato de D. Lourdes geralmente gastar o dinheiro recebido ali mesmo perto do banco, empobrecendo o bairro onde mora.
Em 2006, a história de vida de D. Lourdes começou a mudar, quando o Banco Palmas, primeiro banco comunitário do Brasil, passou a operar, também, como correspondente bancário. A partir de então D. Lourdes pode receber o Bolsa-Família, pagar suas contas, ter acesso a crédito e a uma gama de serviços financeiros no próprio bairro, pertinho de casa, sem custos e perca de tempo. E claro, acostumou-se a fazer suas compras ali mesmo na comunidade, oxigenando as economias locais.
Por mês, o Banco Palmas atende 5.000 moradores no Conjunto Palmeiras e paga mais de R$ 600 mil de benefícios e aposentadorias.
Pra não ficar só na periferia de Fortaleza, vamos até São João do Arraial (7.000 habitantes), região das quebradeiras de coco, interior do estado do Piaui. A agência bancária mais próxima fica a 36 km, no município de Esperantina.
Era para lá que todos os moradores se dirigiam mensalmente para receber seus salários e realizar qualquer outro atendimento bancário. Em 2009, foi criado o Banco Comunitário dos Cocais e implantado um correspondente em São João do Arraial. O dinheiro começou a circular no local, e a cidade se transformou economicamente de forma admirável.
Mas, se existe a lei que possibilita a implantação de correspondentes bancários, por que no Brasil ainda temos 49% da população excluída do sistema financeiro e bancário (Ipea, 11/1/2011)? Por que não existe um correspondente em cada recanto do país?
Por dois motivos fundamentais: a grande burocracia e a baixa remuneração paga pelos bancos aos correspondentes.
Nessa reflexão, é importante também separarmos aqueles correspondentes criados apenas para aliviar a superlotação das agências bancárias daqueles que estão implantados nos bolsões de pobreza, a exemplo dos bancos comunitários. Estes devem ser pagos (e tratados) de forma diferenciada, com uma legislação adaptada e desburocratizada, pela grande utilidade social de seu trabalho.
A presidenta Dilma Rousseff estabeleceu a superação da extrema pobreza como prioridade máxima de seu governo. Nos grotões urbanos e rurais do Brasil, os serviços financeiros e bancários são instrumentos imprescindíveis para o alcance dessa meta.
Estamos fazendo nossa parte! Podemos criar milhares de bancos comunitários disseminando correspondentes por todo Brasil. É uma decisão política.
João Joaquim de Melo Neto Segundo é coordenador do Banco Palmas e do Instituto Palmas