quarta-feira, 2 de maio de 2012

Rio vai reunir meios de comunicação livres para uma outra comunicação. Participe!

Fórum Social Temático: Crise capitalista, Justiça Social e Ambiental


Thematic Social Forum: Capitalist Crisis, Social and Environmental Justice


O Fórum Mundial de Mídia Livre será organizado em painéis, debates livres, workshops e sessões plenárias previstas para o Rio de Janeiro. Os formatos estão abertas. Traduzido por Malgorzata Chojnowska e Fernanda Favaro.

Centenas de representantes de meios de comunicação livres estão se preparando para ir para o Rio de Janeiro, em junho de 2012, para ajudar a preparar a Cúpula dos Povos na Rio +20, um evento paralelo à Conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável. Eles irão trabalhar para espalhar a voz do povo reunidos na Cúpula, que em vez de falar sobre a gestão do meio ambiente pelo poder econômico, falará sobre os caminhos para a justiça ambiental e social. Estes meios de comunicação têm sua própria agenda dentro da Cúpula, onde se reunirá para segurar o II Fórum Mundial de Mídia Livre, além de abranger as atividades e os temas da Rio +20.

Quais são os meios de comunicação livres?

Comprometido com a luta pelo conhecimento livre e de alternativas aos modelos de comunicação monopolizados ou controlados pelo poder económico, meios de comunicação livres são aqueles que servem as comunidades, lutas sociais, cultura e diversidade. Eles usam licenças que favorecem o uso coletivo e as empresas não corporativa. Eles compartilham e defender o bem comum ea liberdade de expressão para todos e não apenas para as empresas que dominam o setor. Eles entendem a comunicação como um direito humano e, portanto, eles querem mudar a comunicação no mundo.

Quem são os meios de comunicação livres?

São sites de ativistas e publicações populares, rádios comunitárias e TVs, pontos de cultura (no Brasil) e muitos grupos ativos em redes sociais. Eles também são organismos sem fins lucrativos, revistas e emissoras alternativas, especializados ou focados em trabalhar com as orientações propostas por sindicatos, movimentos sociais, acadêmicos ou cultural. Dentro ou fora desses espaços, eles também são meios de comunicação livres como pessoas, jornalistas, comunicadores, edu-comunicadores, blogueiros, vídeo-makers, os trabalhadores de escritório, os desenvolvedores de tecnologias livres que hoje constituem um movimento crescente para o direito à comunicação.

O Fórum Mundial de Mídia Livre

Depois de três fóruns no Brasil (Rio de Janeiro 2008, Vitória de 2009 e Porto Alegre 2012), duas reuniões preparatórias na África do Norte (Marraquexe 2011 e Tunis 2012), uma edição mundial (Belém 2009) e uma Assembléia de Convergência, no Fórum Social Mundial ( Dakar, 2011), os meios de comunicação livres estão lentamente a construção de suas agendas, regional e global, que vai fazer progressos importantes no Rio de Janeiro, com a edição de segundo mundo.

O Fórum Mundial de Mídia Livre será organizado em painéis, debates livres, workshops e sessões plenárias previstas para o Rio de Janeiro. Os formatos estão abertas. As atividades serão registradas e organizadas pelos coletivos e organizações interessados ​​em promovê-los, dentro de um programa construído coletivamente, e orientada por eixos que apontam para a relação entre imprensa livre eo direito à comunicação, uma política pública públicos, apropriação tecnológica e os movimentos sociais.

A agenda global está em construção.

O direito à comunicação

O direito à comunicação, deverá ser garantida e respeitada como um direito humano, mas é constantemente ameaçada ou até mesmo negado em muitos lugares do mundo, com o uso de extrema violência. Um dos aspectos deste direito é a liberdade de expressão, hoje garantida apenas para as empresas que controlam grandes cadeias de comunicação e entretenimento, que não querem que a sociedade participar da gestão do sistema, e para os governos que ainda temem a livre comunicação como uma ameaça para a segurança do país ou para a manutenção da potência. O direito à comunicação deve ser conquistada em um sentido completo, além do acesso à informação manipulada pelo mercado ou as grandes potências, incluindo o acesso global e uso da mídia, a democratização da infra-estrutura e produção de conteúdo e expressão da diversidade artística e cultural e cheia acesso ao conhecimento. O Fórum Mundial de Mídia Livre terá agendas e debates sobre o direito à comunicação em diferentes contextos, tais como sobre a África e México, por exemplo, onde a violência contra jornalistas e comunicadores tem sido uma agenda prioritária para o movimento de comunicação.

As políticas públicas

A Lei da Mídia na Argentina repercutiu fortemente nos processos regionais e preparatórios do WFMF, como em Porto Alegre e em Marraquexe, com os testemunhos de ativistas e pesquisadores de comunicação desse país, e deve voltar a ser um dos temas do II WFMF , porque oferecia um modelo mais democrático de legislação que pode inspirar outros países, e para a forte oposição que provocou entre as grandes corporações do setor de comunicação. Mas este não será o único caso de regulação e políticas públicas de interesse para a mídia livre.

Para ser realizada no Brasil, o WFML II deve dar peso às agendas dos meios de comunicação livres de comunicação neste país, o que significa que o governo precisa encaminhar as propostas da sociedade civil brasileira para um novo quadro regulamentar para as comunicações, a democratização do setor, que as estações de rádio comunitárias devem ter satisfeito a sua lista de exigências, com a anistia para os radiodifusores preso e condenado, e que o Congresso deve votar e aprovar o "Civil (Regulamentação) Mark" da Internet, que pode ser um modelo para garantir a neutralidade da rede . A mídia livre deve também incentivar a retomada das políticas culturais que tiveram os pontos de cultura, tecnologias livres e "commons" filosofias como o elemento central, como hoje eles estão em clara regressão.

Disposições legislativas, regulamentares e do papel do Estado na promoção do direito à comunicação já fazem parte das discussões sobre a mídia livre em diferentes países e deve conduzir a agenda do WFMF II.

Apropriação tecnológica

Se no passado era dos meios de comunicação alternativos que costumavam procurar formas de colaboração e compartilhada para a produção de comunicações, hoje são as grandes corporações que dominam o setor e atrair milhões de pessoas para suas redes sociais. No entanto, o ciclo de expansão dessas redes tem sido também uma fase de recolha, armazenagem e transformação de dados pessoais em subsídios para estratégias de mercado e comportamento, além da padronização do uso da rede em formatos pré-ordenadas ea possibilidade de remoção de páginas ou ferramentas de acordo com interesses corporativos. Adicionado a esse controle figura o autor da indústria e empresas de telecomunicações da unidade 'para aprovar leis que permite associar a punição arbitrária monitoramento de usuários em nome das empresas baseadas na exploração e uso da rede.

As liberdades e da diversidade da internet depende da liberdade de acesso, a protecção dos dados pessoais, a abertura de códigos, de apropriação do conhecimento e construção de conexões alternativas, e também sobre auto-gestão de redes. Estes serão os debates marcantes da WFMF II que irá mobilizar ativistas de software livre e desenvolvedores, apoiadores da neutralidade da rede, educommunicators (pessoas que usam a comunicação como uma poderosa ferramenta na educação), instrutores de oficinas e movimentos interessados ​​na democratização do acesso à tecnologia , universalização da banda larga e assegurar a apropriação dos recursos de comunicação, seja ferramentas para edição de vídeo, transmissão de dados de rede, ou de radiodifusão comunitária.

Desenvolvedores, coletivos e comunidades, adeptos de redes livres e abertos geridos sem interesses de mercado, vai encontrar-se no âmbito deste eixo para discutir um protocolo para redes livres, capazes de facilitar a sua interconexão sem destruir a sua diversidade.

Movimentos Sociais

Os meios de comunicação livres e do exercício da comunicação em rede têm sido cruciais para facilitar a coordenação e proporcionar a visibilidade adequada para as mobilizações de rua desde a Primavera `` Arab, de frente para os governos no Norte da África, a ditadura financeira na Europa e até mesmo o sistema capitalista nos EUA e as ocupações que também acontecem no Brasil e América Latina.

Além dos activismos chamados globais, os movimentos sociais têm assumido que a comunicação é estratégica para reforçar suas lutas, impondo uma crítica diária dos meios de comunicação eo uso de mídias alternativas como uma forma de falar para a sociedade e defender-se contra a criminalização. É cada vez mais claro que o direito de expressar essas vozes confronto exige o engajamento dos movimentos sociais no movimento para uma outra comunicação.

Este debate, no WFMF II, destaca o fato de que a mídia livre é, por um lado, a comunicação que lida com as lutas sociais, mas são também os movimentos sociais que lutam pela comunicação.

O WFMF II, o FSM e Cúpula dos Povos

O Fórum de Mídia Livre, com seus processos regionais e internacionais, participa do processo do Fórum Social Mundial, adotando sua Carta de Princípios e contribuindo com subsídios e práticas para construir suas políticas de comunicação.

Na Cúpula dos Povos, os meios de comunicação livres vão usar o conceito de comunicação compartilhada, construída dentro do percurso histórico do Fórum Social Mundial e fundamentado na idéia de que os recursos, espaços e atividades podem ser compartilhadas para ações comuns de mídia no interesse social, lutas.

Na Cúpula dos Povos, os meios de comunicação livres vão contribuir com propostas e discussões para reforçar a agenda bens comuns - em que Comunicação e Cultura são considerados grandes bens da humanidade, inseparável da Justiça Ambiental e Social -, e para que o direito e defesa de parte de comunicação dos documentos, agendas e propostas dos povos representados pelos seus movimentos sociais no Rio de Janeiro.

Serviço:

II Fórum Mundial de Mídia Livre

Quando - 16 e 17 junho de 2012

Onde: Rio de Janeiro, RJ - Brasil, no contexto da Cúpula dos Povos para o Rio + 20

Local das atividades:

16th to 17 de junho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Agenda Central com debates, oficinas e plenárias)

Período Popular Cimeira: (15 a 23 de junho)

Aterro do Flamengo - (Fórum compartilhados cobertura de rádio e TV, workshops)

Aterro do Flamengo - (Convergência em mercantilização da vida e da Assembleia Propriedade Comum)

Websites





Comunidade Pataxó Hã-hã-hãe Ganham ação no STF por 7 X 1

Pataxós assistem à sessão que deu vitória à Funai (Foto Gervásio Baptista/STF).

Por sete votos favoráveis e um contrário, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deu ganho de causa nesta quarta-feira, 2, à Fundação Nacional do Índio (Funai) e à Comunidade Pataxó Hã-hã-hãe. O julgamento foi encerrado no início da noite de hoje. A decisão devolve à União os 54 mil hectares de terra para uso dos indígenas. A ação civil originária tinha como réus 396 produtores rurais.

Os votos dos ministros Eros Grau (aposentado ano passado), Cármem Lúcia (relatora), Rosa Weber, César Peluso, Joaquim Barbosa, Celso de Mello e Ayres Brito anularam títulos e escrituras das propriedades dentro da reserva Caramuru-Catarina Paraguassu. O voto contrário foi proferido pelo ministro Marco Aurélio de Melo.

Os títulos de propriedade foram concedidos ilegalmente a fazendeiros, desde 1926, pelo Governo da Bahia nos municípios de Pau Brasil, Camacan e Itaju do Colônia.

O ministro Antônio Dias Toffoli se declarou impedido por ter atuado no processo como representante da Advogacia-Geral da União (AGU). O ministro Luiz Fux também não votou por suceder Eros Grau. Ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski justificaram ausência da sessão.

“VOLUMES DE LÁGRIMAS, SANGUE E MORTES"

O julgamento estava previsto para o dia 9 e foi antecipado. A mudança de pauta decorreu da urgência e gravidade dos conflitos na região de acordo a ministra Carmem Lúcia. “São volumes de lágrimas, sangue e mortes”, afirmou ela no inicio da sessão quando pediu a inversão da ordem.

O presidente do STF, ministro Ayres Brito, concordou que a situação é de extrema conflituosidade e apoiou a proposta da relatora, assim como os ministros Luiz Fux, Joaquim Barbosa e Celso de Mello. O julgamento havia se iniciado em setembro de 2008, quando o relator da ação, ministro Eros Grau (aposentado), votou pela procedência da ACO.

O julgamento foi suspenso com o pedido de vista do ministro Menezes Direito (falecido). Seu sucessor, ministro Dias Toffoli, declarou-se impedido por ter atuado como advogado-geral da União. Os autos foram então encaminhados para a ministra Cármen Lúcia para prosseguir o julgamento.

A área conflagrada abrange os municípios baianos de Camacan, Pau-Brasil e Itaju do Colônia, tem 54 mil hectares e abriga cerca de 3,2 mil índios, segundo dados dos próprios indígenas. Cerca de 30 pessoas morreram desde que a ação foi proposta em 1982.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), autora da ação, dizia que produtores ocupam de forma irregular as terras da União habitadas pelos índios pataxó hã-hã-hãe. Os agricultores, contraditavam, afirmando que são legítimos possuidores dessa área e que os pataxós e outras tribos nunca a ocuparam.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Quebradeiras de coco lutam pela aprovação da Lei Babaçu Livre

Em diferentes estados do norte e do nordeste do país, quebradeiras de coco reivindicam o livre acesso e uso comunitário dos babaçus, estejam as palmeiras em propriedades públicas ou privadas.


  www.brasil.agenciapulsar.org  
  (foto: overmundo)

As mulheres, organizadas no Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (Miqcb) , lutam pela Lei Babaçu Livre, que estabelece restrições às queimadas, à derrubada de árvores e ao uso de agrotóxicos nas espécies nativas.

A palmeira do babaçu é originária do Piauí, Maranhão, Tocantins e Pará. A coleta do coco nesses estados, onde existem mais de 4 milhões de famílias de trabalhadores rurais sem terra, garante a subsistência de milhares de pessoas.

Somente o movimento de quebradeiras reúne 350 mil agricultoras. Cledeneuza Bezerra Oliveira, quebradeira do sul do Pará, acredita que a organização das mulheres é importante para o fortalecimento do grupo e para o reconhecimento do trabalho, ainda pouco valorizado.

Segundo dados da ONG Actionaid, em média, uma quebradeira ganha cerca de um real e 50 centavos por dia, o que a coloca abaixo da linha de pobreza. O impedimento da atividade de coleta e de quebra do coco nas áreas cercadas por pecuaristas também dificulta o trabalho.

Contudo, as quebradeiras têm se organizado para defender as florestas do babaçu. Além de fonte de renda, o coco é símbolo de luta e resistência para elas, que desenvolvem um trabalho que segue os princípios da agroecologia. Ou seja, o manejo da terra é feito de forma a não agredir a natureza.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O poder do agronegócio sobre os Estados na Rio+20

Com vasta experiência na área agroecológica no Brasil, o economista Jean Marc Von Der Weid participou junto à sociedade civil da ECO 92 e vem acompanhando desde a década de 1980 os movimentos ambientais no Brasil. Atualmente é coordenador de Políticas Públicas da ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA) e membro da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

Nesta entrevista ele fala sobre a perspectiva de fracasso da Rio+20, as forças políticas e interesses que estão em xeque, a falsa visão ambiental da economia verde e aponta a agroecologia como solução para muitos problemas climáticos e energéticos no planeta. Segundo o estudioso e militante, a tendência é uma regionalização da cadeia produtiva alimentar e a potencialização da agricultura familiar para garantir a alimentação dos povos.

Você pode primeiro contextualizar o evento que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992 e os compromissos que foram cumpridos ou não nestes 20 anos? As diferenças entre 1992 e a Rio+20 são radicais e contraditórias. Porque hoje você tem muito mais crítica sobre o modelo de desenvolvimento e o sistema capitalista no mundo, e muito mais informação dos impactos ambientais. No entanto, naquela altura havia mais interesse dos governos em discutir esses problemas e enfrentar as questões. É paradoxal, mas é assim.

Hoje as multinacionais e grandes empresas estão atuando a fundo tanto nos espaços nacionais para definir as políticas e programas de seus governos na Rio+20, como participando das delegações oficiais e criando espaços paralelos de debate. Houve uma série de resoluções importantes do ponto de vista do meio ambiente e do desenvolvimento em 92, que hoje em dia não tem nada similar sendo discutido: a Convenção da Biodiversidade e a do Clima, a própria Agenda 21, etc.

De lá para cá existe, tanto na questão climática, quanto na biodiversidade, um processo de erosão das decisões que foram tomadas, as resoluções foram esvaziadas paulatinamente. A questão do clima se transformou depois na reunião de Copenhagen, que rigorosamente não tem mais nenhum tipo de compromisso internacional que seja levado a sério. E o governo estadunidense nunca entrou nos compromissos internacionais sobre a questão climática. O resultado é uma porcaria, e sequer envolve o compromisso dos estadunidenses em aplicar as tais resoluções.

A construção da questão ambiental está muito mais enfraquecida. A fórmula da Rio+20 tem evitado fazer um balanço do que aconteceu nos últimos 20 anos, e o balanço é lamentável. Você tem algo oficioso pela ONU que pega todos os acordos feitos de 1992 para cá e sucessivas reuniões daquelas decisões. Mas não tem nenhuma situação de progresso internacional do ponto de vista objetivo, e nem do arcabouço jurídico institucional que deveria reger essas mudanças. Pelo contrário, e o resultado é que houve uma aceleração do processo de aquecimento global. Na questão da biodiversidade, estamos perdendo espécies mais rapidamente, sobretudo porque entrou em jogo a produção transgênica, que foi um arraso em relação à variedade genética. E várias outras coisas, como perdas de solo e água.

Até que ponto vai a influência da participação corporativa nas negociações?

A iniciativa empresarial apagou o que estava acontecendo e simplesmente começou tudo de novo. Em 1992 instituiu-se a ideia de desenvolvimento sustentável, que sempre foi complicada. O princípio era interessante, mas quando se define sustentabilidade cada um dá a sua definição. A Monsanto e a Coca Cola dizem que o que elas fazem é sustentável, por exemplo. Quando você não tem um critério estabelecendo um conceito universal, cada um faz e fala o que bem entende. Atualmente está sendo lançado um novo conceito de economia verde que, na prática, é mais do mesmo pintado de verde. Transgênicos e agrotóxicos são apresentados como economia verde.

Estamos num momento muito ruim do ponto de vista do destino da humanidade, porque os governos estão extremamente enfraquecidos. Essa é outra grande diferença de 92, quando havia uma expansão da economia internacional que praticamente só fez acelerar até 2008. Se você descontar a economia da China e da Índia, que ainda se mantêm em expansão acelerada, embora o ritmo tenha diminuído, o resto do mundo está paralisado. Não é um bom momento para você falar em reformar o sistema e aplicar recursos para mudar a base produtiva, porque os governos não vão mudar. Eles querem manter as coisas como estão, e rezar para que o meio ambiente não reclame.

A tendência é que não ocorram avanços na Rio+20?

Os organizadores acham que não vai ter avanço. O francês Brice Lalonde, que é secretário da Rio+20, disse em público que confiava na sociedade civil para agitar a Conferência. Mas a sociedade civil não está imune aos problemas que o conjunto da economia mundial está passando. Muitas organizações sociais estão na defensiva tentando segurar os direitos conquistados ao longo de 50 anos, porque a contraofensiva patronal hoje na crise financeira é para derrubar os direitos dos trabalhadores. A receita aplicada na Grécia é a ameaça para todo mundo. E ao mesmo tempo as empresas não perdem nada, pelo contrário, com a ameaça de quebra o Estado sai bancando o prejuízo. Os bancos são os primeiros beneficiários, os grandes gerentes do sistema financeiro internacional continuam ganhando uma baba sem restrição nenhuma. Por outro lado, você tem muito mais capital de conhecimento acumulado pela sociedade civil, principalmente científico, nos temas chave de 92 e hoje. A agroecologia ainda não tinha a segurança que tem para dizer que não é uma aposta, e sim alternativa clara para o desenvolvimento. Experiências apontam saídas e soluções para a nossa crise sócio- econômica-ambiental.

Você falou que a gente vive uma crise ambiental sem precedentes. Quais são as questões mais graves que a humanidade enfrenta hoje?

Você tem dois tipos de riscos, um ambiental e outro econômico energético. A questão ambiental mais grave, nos próximos 50 anos, é o aquecimento global, cujos efeitos são devastadores e em múltiplas direções. Começando por desestabilizar o sistema produtivo agrícola de forma brutal, e tudo com consequência direta na segurança da humanidade. O aquecimento global pega pesadamente na qualidade da água e quantidade e qualidade de alimentos. A agricultura está no coração dos problemas energéticos e do aquecimento global, mas ninguém está discutindo o que vai acontecer do ponto de vista energético nos próximos tempos.
 
Uma das propostas da economia verde na energia é você substituir combustíveis fósseis por eólico, hidroelétrico, hidráulico, etc. Mas não é discutido a fundo o quanto precisa fazer e em que velocidade para responder os problemas de queda na oferta de energia nos próximos 30 anos. Há uma avaliação cada vez mais generalizada de que a era do petróleo e gás está acabando, e as implicações são absolutamente colossais para a humanidade. Não há ainda nenhuma alternativa verde que dê conta dessa perda. Os custos vão ser muito mais altos, e a dificuldade de implantação vai exigir um tempo de transição muito grande. A crise vai pegar mesmo no fígado.

E o Brasil está vindo com o pré-sal na contra mão da história...

Nós estamos achando petróleo numa quantidade razoável porque as descobertas no mundo são cada vez menores e o consumo vem crescendo muito rápido. A tendência geral é de queda e custos mais altos com impacto enorme na economia. Isso vai desorganizar a economia do mundo como um todo. O sistema alimentar mundial, hoje, tem um custo energético monstruoso para produzir, processar, transportar e uma perda colossal no consumo. Tem desperdício ao longo da cadeia, mas o desperdício final, sobretudo nos países mais desenvolvidos, vai além de 30%. Dados apontam para um desperdício de alimentos nos Estados Unidos é dez vezes superior ao da África subsaariana. O sistema mundial foi bolado num período de baixíssimo custo de transporte, com petróleo a preço de banana. O custo médio nos Estados Unidos de um alimento normal no prato de um americano é de 5 mil milhas de viagem. No Canadá são 12 mil em média, então esse tipo de situação vai ser completamente desarticulada e desorganizada. E se fizer biodiesel e álcool combustíveis, vai pegar na cadeia alimentar pesadamente. O Fidel Castro fez uma comparação dizendo que o álcool combustível, com esse negócio do biodiesel, é botar em concorrência a alimentação do pobre com o carro do rico.

Você falou da crise climática e uma crise energética, e as duas estão associadas...

Enquanto você não tem uma solução energética de combustíveis fósseis, a tendência é o mundo usar até o limite. Na medida em que o petróleo está ficando caro, por exemplo, está voltando a se utilizar o carvão que é o maior emissor de gases de efeito estufa. É um círculo vicioso. A aceleração do processo de substituição não pode vir simplesmente pela extinção do que existe, você tem que antecipar com alguma solução que evite uma situação dramática. Os recursos naturais renováveis têm a ver, por exemplo, com as estruturas: água, solo, biodiversidade, que são altamente ameaçadas. Nos anos 90 já tinha perda de aproximadamente 46% de toda a área cultivada em culturas anuais. São em torno de 2 bilhões de hectares de área de cultivo, e em torno de 12% já está inviabilizado para produção. 

Os índices mais pesados são os da agricultura convencional, o agronegócio, até porque são os que ocupam as melhores terras do mundo. E a água está acabando por várias razões, entre elas o aquecimento global, que está interferindo, por exemplo, nos sistemas de irrigação na Índia e em todos os países dos Andes. Estes dependem desde o tempo dos incas do derretimento da neve na estação do verão para alimentar os rios e córregos para fazer irrigação. O problema é que atualmente você tem invernos em que não neva. Na Índia é pior ainda, porque os glaciários do Himalaia estão derretendo e quando acabar o Ganges seca.

Quais experiências propõem uma alternativa para essa crise energética e climática que você está desenhando?

Na verdade não há nenhuma solução elaborada que permita você dizer que tem um modelo econômico macro, em grande escala, que responda a essas questões mundialmente. Uma coisa fundamental que já vem sendo batida desde o relatório de 1972 é a necessidade de alterar o modelo de consumo do mundo. A começar pelo consumo energético como, por exemplo, a civilização do automóvel individual que está condenada. Você tem que criar uma sociedade que funcione com o transporte público e circuitos mais econômicos. Porque o automóvel, em particular o dirigido por uma pessoa, é uma das coisas de pior eficiência energética que você pode achar no mundo. E outras coisas, como no consumo alimentar esse negócio da milhagem. A pessoa vai ter que se alimentar de acordo com o que é possível produzir com a menor distância possível para ela consumir. Então você vai alterar os regimes alimentares mundo afora, relocalizar o sistema alimentar e, inclusive, mudar as dietas.

Do ponto de vista da produção, na agricultura o futuro é claramente a agroecologia. É um sistema de balanço energético positivo. Nos Estados Unidos, para cada caloria servida ao freguês você investe 10. Com o sistema agroecológico você vai reduzir a emissão de gases de efeito estufa, segurar as questões de destruição de solo e a economia no uso de água, além da conservação de biodiversidade. A agroecologia pode ser operada em níveis muito variados. É um sistema múltiplo de cultivos e criações intercalados com vegetação nativa manejado de uma forma sistêmica. A estratégia da agroecologia é mimetizar os sistemas naturais, você se aproxima da diversidade natural para usar o seu sistema produtivo. É a melhor produtividade possível por área, mas tem uma série de restrições. Para você manejar um sistema altamente diversificado e complexo, você vai precisar de mão de obra qualificada. E vai ter um limite da quantidade de área por mão de obra utilizada, pois são sistemas em que o nível de mecanização é baixo. Uma proposta agroecológica no limite de seu potencial de diversidade é, por exemplo, o sistema de Fukuoka, no Japão, cujo cultivo é misturado dentro do mato. Tudo é essencialmente manual, não tem absolutamente nenhuma operação mecanizada. Mas você pode fazer coisas intermediárias, não deixa de ser agroecológico, mas certamente o nível de eficiência é menor pois o ideal é o máximo de diversidade de sistema.

Para você fazer um sistema altamente produtivo de agroecologia vai precisar de agricultores familiares, que são os que têm interesse e conhecimento. Não é um sistema que opere bem com mão de obra assalariada, pois esta só funciona com tarefas simples como cortar cana, colher maçã, conduzir o gado, etc. Se você vai pedir uma tarefa extremamente complexa ele não tem interesse, porque vai ganhar igual por hora de trabalho. E é o trabalho não alienado, com interesse direto de quem vive daquilo e de tudo que ele acumulou de conhecimento para fazer aquele negócio. Há uma simbiose perfeita entre a agroecologia levada a seu limite máximo e a agricultura familiar. Isso significa que no futuro precisa de muito mais agricultura familiar do que você tem hoje.

Isso é uma solução para o inchaço das cidades?

Com certeza, mas a questão dos Estados Unidos, por exemplo, é que eles têm 2 milhões de agricultores e precisariam botar 38 milhões no campo. Não é uma coisa que você faça de uma hora para outra, nem que faça bem. Quando a crise se colocar, eles vão precisar de gente para produzir alimentos e não vão ter, pois os desempregados nas cidades não têm conhecimento. Cuba é um bom exemplo de crise energética, pois viveu numa porrada só o que o mundo está vivendo aos pouquinhos: a perda da energia fóssil. Eles dependiam do petróleo russo para operar e de repente parou tudo do dia para noite, porque a agricultura era toda mecanizada. Eles tiveram que reformar o sistema produtivo de grandes fazendas mecanizadas em propriedades familiares cooperativas. O grande problema foi achar gente, é uma operação complicada porque se perdeu conhecimento. E a nossa situação dramática no Brasil é um processo de perda de conhecimento muito grande, porque a reforma agrária estancou. No período do Lula houve uma evasão violenta de juventude no campo, e quem é que vai herdar o conhecimento e continuar a tocar as coisas?

O agronegócio está bem estabelecido no campo brasileiro?

Ainda tem uma área grande na mão da agricultura familiar, mas a tendência, até por pressão do governo, é mecanizar isso também. Aquele programa “Mais alimentos”, que os movimentos chamam de “mais trator”, levou a mecanização pesada principalmente no sul. Mas em muitos lugares significou que o cara para mecanizar tem que fazer monocultura, imediatamente um puxa o outro. Nós temos um patrimônio cultural e um campesinato bastante rico, mas estamos vivenciando um processo de erosão de conhecimento e de abandono do campo. No meu cálculo, para o Brasil seriam necessárias 15 milhões de famílias para o desenvolvimento agroecológico, e atualmente a agricultura familiar deve ter 4,5 milhões. No governo Lula você tinha expectativa de fortalecer a agricultura familiar e apertar um pouco os impactos do agronegócio, mas não aconteceu. O agronegócio está nadando de braçada e ganhou força, e querem impor o Código Florestal. Vamos ver se a Dilma vai ter coragem de vetar.

Você pode fazer uma radiografia da agroecologia no Brasil?

A agroecologia deve ter cerca de 40 anos. O nosso programa foi um grande impulsionador da agroecologia no Brasil, quando começou em 1983 ainda era algo confinado a alguns profissionais das ciências agrárias isoladas. Uma garotada da Federação dos Estudantes de Agronomia, os grupos de agricultura ecológica, era um troço pequeno. Naquela altura você tinha a agricultura orgânica na direção da agroecologia com a biodinâmica. De lá para cá houve um avanço muito grande da agroecologia, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) é uma expressão de movimento agroecológico significativo que envolve tudo: conhecimento tradicional, indígena, inovações da agricultura familiar e científica, etc. Existem exemplos suficientes pelo país afora, não só em outros países do mundo, que mostram o sucesso da Agroecologia. São várias sistematizações que têm uma eficiência maior que o sistema tradicional. Existem óticas e interpretações variadas porque, por exemplo, tem áreas com uma influência maior do sistema de produção orgânico, que está mais preocupado em produzir para um nicho de mercado, pois paga mais caro, mas acho que limita um pouco o sistema de produção agroecológico: poucos agricultores para poucos consumidores.

O sistema de agricultura orgânica no mundo padece desse impasse, porque o sistema de regulação, de certificação, é um sistema de produção de mercado em muitos lugares. Eu vi isso na França. Quando teve a crise da vaca louca houve um hiperaumento de demanda para produtos orgânicos. E o presidente da Federação de Produtores de Agricultura Orgânica disse que estavam cheios de agricultores, mas o sistema de certificação apertou os critérios de conversão. Freou a capacidade de novos orgânicos entrarem no mercado.

Quais as dificuldades da aproximação da agricultura familiar com a agroecologia?

O agricultor familiar enfrenta muitas barreiras com a legislação sanitária, porque é montada para beneficiar grandes extensões. E para conversão de um agricultor à agroecologia você precisa mostrar que o meio ambiente é importante para ele produzir para ganhar. Frequentemente você entra com diminuição de custo de produção, tirando o agrotóxico, produzindo com semente crioula e sem adubo químico. E a tendência desses insumos é aumentar a um ponto que o cara vai ver que esse sistema mais integrado não só vai reduzir os custos de produção, como aumentar a produtividade. E, sobretudo, diminuir o risco. Aos poucos ele começa a ver que os elementos ambientais jogam um papel no sistema agroecológico: primeiro deles é a conservação do solo.

Então o maior desafio da agroecologia é a capacitação?

Capacitação. E acho que tem uma questão pedagógica, uma abordagem correta é conseguir mostrar passo a passo que essas práticas têm um impacto importante no ponto de vista de custo, de risco, de benefício para saúde e econômico. Isso é uma questão fundamental.

Fonte:  http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/173-o-poder-do-agronegocio-sobre-os-estados-na-rio-20

quarta-feira, 25 de abril de 2012

FABRICANTES DE CHOCOLATE ASSUMEM COMPROMISSO DE COMBATER TRABALHO ESCRAVO NA PRODUÇÃO DE CACAU


A Ferrero, fabricante italiana de chocolates finos, se comprometeu a erradicar a escravidão das fazendas onde adquire amêndoas de cacau, até 2020. A empresa, que produz chocolates Ferrero Rocher e Nutella e ovos Kinder, segue a Nestlé e a Hershey na adoção de uma política anti-escravidão e de exploração de mão de obra, muito comum na África.

A direção da Ferrero garante que vai erradicar o trabalho infantil e o trabalho forçado de adultos a partir de plantações de cacau que utiliza até 2020. Além disso, vai relatório mais detalhado sobre suas ações na cadeia produtiva. Cerca de 75% dos grãos de cacau do mundo são cultivados em pequenas propriedades agrícolas na África Ocidental. Na Costa do Marfim, existem cerca de 200 mil crianças que trabalham na lavoura, muitas contra a sua vontade, para criar o chocolate apreciado em todo o mundo. A maioria desses trabalhadores mirins não sabem nem mesmo o que é chocolate.

Em janeiro deste ano,, a CNN destacou a situação do trabalho infantil na Costa do Marfim em um documentário, "Escravos do chocolate para crianças”, pelo correspondente David McKenzie. (com informações da CNN).

MULHER VICIADA EM COCA COLA MORRE DE ATAQUE CARDÍACO


O consumo excessivo de Coca-Cola pode ter sido o motivo da morte da neozelandesa Natasha Harris, 30 anos, mãe de oito filhos. Segundo depoimentos, Harris bebia entre oito e dez litros de refrigerante por dia, o que pode ter contribuído com o ataque cardíaco que a levou à morte.

De acordo com o jornal New Zealand Herald, o patologista Dan Mornin afirmou que ela teve arritmia cardíaca, mas também sofreu de hipocalemia. Segundo ele, esse problema de falta de potássio ocorre pelo consumo excessivo de refrigerantes. De acordo com o companheiro de Natasha, Chris Hodgkinson, que está processando a Coca-Cola, a mulher era viciada e ficava irritada quando não bebia o refrigerante.

Ele também contou que ela já se sentia mal quase um ano antes de morrer e que vomitava pelo menos seis vezes por semana. A Coca Cola nega que existam provas de que a morte de Natasha esteja vinculada ao consumo excessivo do refrigerante.

Fonte: http://www.blogdothame.blog.br/v1/page/3/

terça-feira, 24 de abril de 2012

Em defesa dos territórios e dos direitos dos povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais populações tradicionais

NOTA DA CNBB

Nós, Bispos do Brasil, reunidos na 50ª Assembleia Geral, reafirmamos nosso compromisso com os povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais populações tradicionais, pelofortalecimento de suas identidades e organizações próprias, na defesa dos seus territórios, na educação intercultural bilingue dos povos indígenas e na defesa de seus direitos. “A partir dos princípios do Evangelho, apoiamos a denúncia de atitudes contrárias à vida plena em nossos povos de origem e nos comprometemos a prosseguir na obra da evangelização (...), assim como a procurar as aprendizagens educativas e de trabalho com as transformações culturais que isso implica” (cf. DAp 530).

A Constituição Federal de 1988, ao confirmar o direito territorial dos povos indígenas e das comunidades quilombolas, bem como dos pescadores artesanais e outras populações tradicionais, representou muito mais do que a necessária reparação do erro histórico da apropriação de suas terras e da escravidão. É o reconhecimento da sociedade brasileira de que para esses povos a terra e a água são um bem sagrado, que vai além da mera produção para sobrevivência, não se reduzindo à simples mercadoria. É patrimônio coletivo de todo um povo, de seus usos e costumes, assim como a apropriação dos seus frutos.

Ao Governo Federal, cabe o dever constitucional de reconhecer, demarcar, homologar e titular os territórios indígenas, quilombolas e das demais populações tradicionais, ressarcindo seus direitos, passo fundamental e determinante para garantir sua sobrevivência. Sem a garantia de acesso à terra, elemento base da cultura e da economia dessas populações, elas continuarão a sofrer opressão, marginalização, exclusão e expulsão, promovidas por empresas depredadoras, pelo turismo, a especulação imobiliária, o agronegócio e pelos projetos governamentais, como as grandes barragens, que têm invadido áreas cultivadas, alterando o ciclo de vida dos rios e provocando o despovoamento de suas margens.

Lamentamos profundamente o adiamento dos procedimentos administrativos de demarcação, a invasão e a exploração das terras dos povos tradicionais. Chamamos especial atenção para as condições de confinamento e os assassinatos que vitimam o povo Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. Um verdadeiro genocídio está em curso, maculando a imagem de nosso País como defensor dos direitos humanos.

Repudiamos, de modo veemente, o ataque desferido pela bancada ruralista e outros segmentos do Congresso Nacional aos direitos dos povos indígenas, consignados em nossa Carta Magna, através de proposta de emenda constitucional, a PEC 215/2000. 

Em relação às comunidades quilombolas, preocupa-nos a morosidade no reconhecimento dos seus territórios. Rejeitamos a sórdida estratégia de questionar a constitucionalidade do processo de titulação de suas terras, de modo a impedir os trâmites legais que atendam aos seus legítimos anseios.

Conclamamos o Governo brasileiro ao cumprimento da Constituição Federal e dos instrumentos internacionais dos quais o Brasil é signatário, especialmente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT; à proteção dos direitos dos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e das demais populações tradicionais, como forma de pagamento da dívida histórica que o Brasil tem com esses povos, demarcando e homologando os seus territórios, impedindo sua invasão, em defesa dos mais pobres e vulneráveis em nosso País.

Sob a proteção de Maria, a quem invocamos como Rainha e Padroeira, Nossa Senhora Aparecida, confiamos a proteção do nosso povo que constrói, na fé e esperança, um Brasil verdadeiramente para todos.

Aparecida – SP, 23 de abril de 2012.

Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão – MA
Vice-presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília - DF
Secretário Geral da CNBB

Fonte: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6222&action=read

As mais diferentes expectativas para a Rio+20

J. B. Libanio
Padre jesuíta, escritor e teólogo. Ensina na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, e é vice-pároco em Vespasiano

Adital

Os ares se agitam em torno da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no mês de junho. Brotam as mais diferentes expectativas. O divisor de águas se fará entre a opção por encontrar soluções, mesmo que boas, dentro do atual modelo de desenvolvimento e de produção que o Ocidente vem pilotando faz séculos, ou iniciar processo radical de mudança.

Os termos "ecologia", "verde", "cuidado com a Terra" soarão, sem dúvida, de todos os lados. Ninguém ousará discursar a favor da selvagem destruição do ambiente em curso. Ela poderá continuar, mas velada e camuflada sob nomes de defesa do meio ambiente. Nenhuma mineradora, nem montadora de automóveis, nem agrobusiness terão coragem de prosseguir, sem mais, no mesmo tipo de agressão ao ambiente.

Mas a pergunta vai mais fundo. O que está em jogo quando se fala de sustentabilidade? Há dois pressupostos bem diferentes. Um implica o próprio sistema capitalista. Querem mantê-lo sustentável com o mínimo de destruição da natureza. Mas ele mesmo não está em questão. Buscam-se outras formas de diminuir-lhe o potencial destrutivo. No entanto, esquece-se que a lógica do capital não para diante de nenhum adversário. Ela pensa a curto prazo. A roda simples, mas fatal, do sistema funciona à base da produção para vender e acumular lucro. Não interessa se o produto pertence ao mundo da necessidade ou simplesmente pretende atrair as pessoas até ao mais despudorado supérfluo. Importa seduzir o comprador, vender, acumular capital, investir. A outra linha pensa diferente. Entra em questão a sustentabilidade do planeta. E o atual sistema, ao retirar da Terra 30% a mais do que ela pode repor, levá-la-á à exaustão. Portanto, absolutamente insustentável, se pensamos em termos de vida humana. O planeta continuará a girar em torno do Sol, só que sem nós. Ou mesmo sem qualquer tipo de vida à espera de bilhões ou milhões de anos até que surja outra vida, fruto do quase infinito jogo de probabilidades. E ser humano: nem falar!

O verde desejado pelo sistema não significa o verde do Bem-Viver. O primeiro engana os olhos. Pois deixa a máquina destruidora a funcionar. Só o verde, que acontece nas pequenas dimensões da existência humana, que evita as devastações das mineradoras e do agrobusiness, que poupa longos transportes de alimento com produção local, que incentiva a pequena propriedade, que controla os agrotóxicos e que toma outras medidas do mesmo jaez, salva o planeta.

Não há verdadeiro verde sem justiça social, sem reforma agrária, sem deixar de medir um país pelo crescimento do PIB em vez do Bem-Viver de seu povo, sem buscar alternativas para a produção de energia, abandonando definitivamente a originada do petróleo, barata, desperdiçada e poluente.
A questão do desenvolvimento sustentável não se separa da ética, da justiça, da cultura, além naturalmente da economia. Esta não merece o primado absoluto que o sistema capitalista lhe atribui, mas cabe-lhe servir às outras dimensões do ser humano. Eis a grande inversão!
Uma origem...
O que é ADITAL?
Vídeo institucional da Agência de Informação Frei Tito para América Latina: A informação dos movimentos sociais e populares organizados.

Bispo Dom Pedro Casaldáliga

Veja vídeo com depoimento de Dom Pedro Casaldaliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, sobre a importância da luta do MST.

Abaixo, leia trechos do depoimento.

"O MST é uma força alternativa. É uma força autônoma e estritamente popular, no sentido forte da palavra. Inclusive, mais do que um movimento, eu diria que deve ser sempre um estímulo, uma cutucada, para a movimentação.

"O MST poderia desaparecer, porque já deixou uma marca que não se apaga. Eu espero que por muitos anos ainda... A não ser que se acabe com o agronegócio e com o latifúndio. Aí não vamos necessitar do MST. Enquanto o diabo estiver solto aí, necessitamos do MST...

"[A luta vai continuar] enquanto houver latifúndio, produtivo ou improdutivo, no meu entender, porque latifúndio é sempre acumulação, sempre é exclusão, sempre é prepotência". 

Fonte: http://www.mst.org.br/

quinta-feira, 22 de março de 2012

Declaração Universal dos Direitos da Água



No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos da Água, ela é seiva do nosso planeta e condição essencial da vida na terra. Confira os artigos:

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

domingo, 18 de março de 2012

Indignação dos Guardiões das Sementes

                                                     Por: (Joaquim Pedro de Santana)


Jesus mestre salvador
Lá do céu está vendo
O que é que estão fazendo
Com o povo agricultor
É tirar o nosso valor
Mandar sementes pra gente
Com veneno é indecente
Deus não vai dar o perdão
É a indignação dos guardiões da semente

De apoio precisamos
Federal ou do Estado
Mas devemos ser consultados
 
Para saber o que plantamos
Por que nós não aceitamos
Virem com veneno pra gente
Saber que é indecente
Para nossa plantação
Esta é a indignação dos guardiões das sementes

Temos 38 espécies
230 variedades
Todas de boa qualidade
Que o povo todo conhece
Não sei o que acontece
Programas mandar pra gente
Só quatro achamos indecente
Fazemos revolução
É a indignação dos guardiões da semente

Nós sabemos que se plantar
As nossas variedades
Teremos com qualidade
Segurança alimentar
Também nós vamos zelar
O nosso meio ambiente
É bastante diferente
Desta outra plantação
É a indignação dos guardiões da semente

Nossos avós e nossos pais
Nos ensinaram a plantar
E também armazenar
Com produto naturais
Pimenta do reino é capaz
Para o trabalho da gente
Casca de laranja é excelente
Para a boa germinação
Está é a indignação dos guardiões da semente

Pedimos para não plantar
Pois temos diversidade
Mas se houver necessidade
De perto dela passar
Máscara e luva vamos usar
Para proteger a gente
Pois veneno é indecente
O mesmo é coisa do cão
Essa é a indignação dos guardiões da semente

Nos também temos clareza
Que o problema é financeiro
E com nosso dinheiro
Enricar mais as empresas
Veneno na nossa mesa
Com dinheiro da gente
Se chegar na minha frente
Digo ao chefe da Nação
Está é a indignação dos guardiões da sementes

No banco a semente está
Para a nossa autonomia
Pra quando chegar o dia
De o agricultor plantar
É só ele ir lá buscar
Voltar feliz e contente
Porque tem em sua frente
As sementes da paixão
Essa é a libertação dos guardiões da semente


sexta-feira, 16 de março de 2012

Rio+20 terá aldeia para discutir questões indígenas

 
Rio de Janeiro - Uma aldeia com pelo menos quatro ocas será montada no Rio de Janeiro para discutir questões ligadas aos indígenas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), marcada na cidade para o final de junho. Segundo o articulador indígena para a conferência, Marcos Terena, o espaço deverá se chamar Kari-oca 2, nome que remete aos moradores da cidade do Rio de Janeiro, os cariocas, e cujo significado original, na língua indígena tupi, é “casa do homem branco”.

 
Na aldeia haverá duas ocas com redes para abrigar 80 pessoas, uma “oca eletrônica” e uma grande oca com capacidade para 500 pessoas, onde serão feitas as discussões. Terena e um grupo de indígenas estiveram no Rio de Janeiro para definir a área exata onde a aldeia será montada. A ideia é que o espaço ocupe o Autódromo de Jacarepaguá, próximo aos locais onde ocorrerão as conferências oficiais das Nações Unidas.

“É uma iniciativa para abrigar povos indígenas do mundo inteiro aqui no Rio de Janeiro durante a Conferência Rio+20 e para que a gente possa ter um lugar para debater a economia verde e o desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo vai servir para que a gente possa mostrar a força cultural dos povos indígenas do Brasil. O projeto é uma iniciativa indígena brasileira, que é conectada com os índios da África, das Américas, da Ásia”, afirmou Terena.

Segundo Terena, a montagem da “oca eletrônica” será uma das grandes novidades. “Essa oca, que foi uma sugestão dos índios navajos, dos Estados Unidos, é uma inovação, já que mistura uma oca tipicamente brasileira com conteúdo eletrônico. Ali haverá iniciativas voltadas à tecnologia da informação e também terá o objetivo de fazer a transmissão online da conferência aqui do Rio de Janeiro”, disse.

Na aldeia, haverá ainda profissionais indígenas, como enfermeiros e advogados, para atender os participantes da conferência, caso haja necessidade. Além disso, estão programadas cerimônias espirituais tradicionais, durante todos os dias da Rio+20.
 
 
Agência Brasil 
http://www.diabahia.com